ENTREVISTA » SILVANA MEIRELES
Mais Cultura tem 2009 para dar resultado
Publicado em 19.01.2009
Olívia Mindêlo
omindelo@gmail.com
O Programa Mais Cultura foi lançado em outubro de 2007 como uma grande esperança para o setor no País, afinal de contas o presidente Lula garantiu um investimento de R$ 4,7 bilhões até 2010 somente para a iniciativa. Desses, R$ 2,2 bilhões de recursos federais e o restante de verbas estaduais e municipais. Até agora, o Ministério da Cultura (MinC) investiu R$ 223 milhões, pouco mais da metade prevista para o primeiro ano do programa, 2008. A largada mais desacelerada tem gerado críticas ao Mais Cultura, que, na prática, teve uma repercussão tímida nesse tempo. Seguindo o conselho do presidente Lula, no discurso do lançamento do programa, a reportagem Jornal do Commercio resolveu cobrar um balanço da iniciativa de quem está perto, ou melhor, à frente da gestão do dinheiro público nessa ação, em Brasília: a pernambucana Silvana Meireles, secretária de Articulação Institucional do MinC e coordenadora executiva do programa desde setembro passado. Leia a entrevista a seguir.
JORNAL DO COMMERCIO – Quando o Mais Cultura foi lançado, o então ministro Gilberto Gil definiu o programa como o “Fome Zero do espírito”, porque foi criado para atingir áreas com menor acesso à cultura do País. De que forma o programa tem servido na prática, desde então, de alimento para a alma dos brasileiros?
SILVANA MEIRELES – O programa está estabelecido em três grandes linhas: Cultura e Cidadania, Cidade Cultural, e Cultura e Renda. Isto é, está pensando a cidadania e o acesso, mas pensando também nas cidades que precisam de infra-estrutura cultural e na necessidade de tirar da informalidade os trabalhadores da cultura, investindo na formação de jovens. De lá para cá, diferentes ações foram desenvolvidas, nos três eixos. A questão do acesso foi a que mais avançou, sobretudo com os Pontos de Cultura, no intuito de incentivar projetos da própria sociedade. O Cultura Viva já existia, mas passou a ser incorporado e ampliado pelo Mais Cultura. Nessa linha, a grande questão foi a relação do Estado com a cultura e a sociedade. Ao invés de o Estado dizer o que deve ser feito, a sociedade apresenta a sua proposta e o governo fica encarregado de implementar. O Estado fomenta, incentivando, portanto, o protagonismo e a autonomia.
JC – De certa forma, a Lei Rouanet também já recebe projetos da sociedade.
SILVANA – Recebe, mas são só projetos. Um Ponto de Leitura não é um projeto, já existe e vai ser potencializado pelo ministério. É um fomento a uma atividade já desenvolvida. Tanto que os Pontos de Cultura precisam ter no mínimo dois anos de atividade. Diferente do projeto com começo, meio e fim fomentado via Lei Rouanet. A segunda diferença é que a maioria dos proponentes do Mais Cultura está fora da Lei Rouanet, que é uma autorização para captação de recursos com isenção fiscal, uma negociação do proponente com as empresas. E aí os critérios de avaliação são muito diferentes dos critérios do Mais Cultura. Na lei, são os de mercado e os patrocinadores apóiam grandes eventos. Em relação aos Pontos de Cultura, é dinheiro do Fundo Nacional de Cultura. A partir do Mais Cultura, os recursos foram descentralizados, através dos pontos, para 23 Estados e cinco municípios. Foi um salto. Tínhamos 800 Pontos de Cultura e agora são mais de 2 mil.
JC – Dos R$ 223 milhões gastos pelo Mais Cultura em 2008, R$ 111,2 milhões foram investidos somente em Pontos de Cultura. São de fato a prioridade do programa?
SILVANA – Não, é uma das prioridades. Ao lado deles, tem os Pontos de Leitura, como o caso da palafita-livroteca Os Guardiões no Bode (Recife) e outras similares, selecionados com edital nacinal. Foram selecionadas em 2008 517 iniciativas, de pessoas físicas e jurídicas. Nessa mesma linha de fomento, tem também os Pontinhos de Cultura, espaços de brincar, iniciativas para a infância. Foram aprovados cerca de 200 no País. A ideia é fomentar iniciativas da sociedade civil. O MinC está implementando ainda 661 bibliotecas, através do Mais Cultura, que vão receber o kit, com acervo, mobiliário, telecentro e software de catalogação. Isso envolve negociação com os prefeitos. É um acordo com o gestor do município, que fica responsável pelo espaço e sua manutenção. Outra questão é a modernização das bibliotecas. Em 2008, foram modernizadas 410.
JC – O objetivo do MinC é zerar o número de municípios sem bibliotecas. Mas a pesquisa do IBGE (Suplemento de Cultura da Munic 2006), base para a elaboração do Mais Cultura, constatou que 89,1% dos municípios brasileiros já possuem pelo menos uma. Não seria um número alto, se comparado ao de museus, por exemplo, que só existem em pouco mais de 20% dos municípios do País?
SILVANA – Entendemos que o livro e a leitura são fundamentais à cidadania. Precisamos formar um país de leitores, ampliar esse universo. Livro e leitura são estruturantes. E aí a prioridade é zerar o número de municípios sem bibliotecas e modernizar as que existem.
JC – Mas não há o risco de os brasileiros, mesmo assim, não se atraírem pela leitura?
SILVANA – Sim. Mas como a gente está pensando o estímulo? Através da Rede Biblioteca Viva, que tem objetivo de integrar bibliotecas estaduais, municipais, Pontos de Leitura, escolas. Unir tudo numa rede. Atrelado a isso, tem a formação de mediadores, dos agentes de leitura. São eles que vão contribuir para o estímulo. A ideia é que sejam jovens selecionados e tal qual um agentes de saúde, possam trabalhar diretamente com as famílias de sua comunidade. Nos baseamos numa experiência bem-sucedida do Governo do Ceará. Afora isso, a pesquisa Retratos da Leitura, divulgada em 2008, apontou que os leitores brasileiros geralmente têm bibliotecas próximas às suas moradas e tiveram influência da mãe. São dois pontos que se destacam como estímulo para a formação. Existe ainda outra ação que ainda não aconteceu, a dos Livros Populares, para incentivar o acesso ao livro. O preço é ainda muito caro. A ideia ainda está sendo desenvolvida, vamos ver parcerias com editoras, um edital. Pensamos também em estimular a leitura de revistas que já existam, para fazer o leitor ir à biblioteca ler a edição do mês.
JC – Em artigo publicado no mês passado, no site Cultura e mercado, Leonardo Brant atacou a eficácia do Mais Cultura, cujos propósitos seriam muito vagos e corriam o risco de transferir para os municípios e Estados o dever federal, sobretudo com o Cultura Viva. Como responde a essa crítica?
SILVANA – É evidente que temos metas muito ousadas, quantitativas. No ano passado, o aporte orçamentário nos obrigou a reduzir as metas para 2008. Algumas ações estão estruturadas, mas há outras mais novas. O País tem uma dimensão continental. Leva tempo até as coisas acontecerem. Quanto à parceria com Estados e municípios, penso que tem havido um erro de interpretação de Leonardo Brant. Ao fazermos a descentralização, a intenção não é transferir a responsabilidade para Estados e municípios, mas construir na prática o Sistema Nacional de Cultura, com divisões de responsabilidades e competências. O Estado e o município são os que estão mais próximos da sociedade, podem ajudar a implantar o programa mais rapidamente, acompanhando de perto. Acompanhar 2 mil Pontos de Cultura não é uma tarefa que deva ser feita pelo MinC sozinho, mas por quem está com o cidadão. Evidente como o sistema está em construção, essa divisão é algo que vai ser aprimorado. Afora isso, ao descentralizar, você está incorporando a cultura local e reforçando a economia local. Descentralizando, amplia-se o número de cada uma das ações, porque o Estado e o município entram com recurso. Para cada R$ 1 que os governos estaduais e municipais colocam, o MinC bota R$ 2. A gente amplia essa meta.
JC – Onde foi gasto o restante da verba do programa em 2008, de R$ 114,8 milhões, tirando a dos Pontos de Cultura?
SILVANA – Em Pontos de Leitura, Pontinhos de Cultura, modernização e implantação de bibliotecas, conteúdos para TV. Está previsto para março um programa novo na TV Brasil, o Tô sabendo, que vai articular escolas de três Estados (RJ, BA e PA) num game de conhecimento. Esse recurso foi utilizado ainda no edital FIC TV/ Mais Cultura para a produção de três minisséries feitas por e para jovens de 15 a 29 anos, das classes C, D e E. Também foi gasto com o Cine Mais Cultura, em pequenas salas de exibição, com o Promoart (Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural) e uma parte em microprojetos culturais.
JC – O que seriam esses microprojetos?
SILVANA – São incentivos a pequenos projetos, com recursos entre 1 e 30 salários mínimos, para proponentes que não têm acesso a qualquer lei de incentivo à cultura e precisam comprar um instrumento, uma roupa, fazer uma pequena exposição, publicar um pequeno livro. É um edital descentralizado e vai abrir com foco, neste primeiro semestre, nos Estados do Nordeste, no Norte de Minas e no Espírito Santo.
JC – Além dessas ações, como outros dados da pesquisa do IBGE estão sendo revertidos?
SILVANA – Quando pegamos o dado de que 90% dos municípios não possuem qualquer equipamento cultural, mostramos a importância de criar no País uma infra-estrutura cultural, e isso tem pautado a locação de recursos no Mais Cultura. Tem sido positivo, inclusive no Congresso. Os deputados têm feito emendas à cultura, o que é uma ajuda, porque sofremos cortes em 2008.
JC – Por quê? Qual foi o maior entrave?
SILVANA – A disponibilidade orçamentária do governo mesmo. Houve um outro agravante também. Perdemos R$ 120 milhões, porque uma liminar derrubou medidas provisórias que fossem votadas via crédito suplementar. E esses R$ 120 milhões estavam incluídos na medida provisória de crédito suplementar de 2007.
JC – Este é o último ano antes das eleições presidenciais. É definitivo para o Mais Cultura mostrar a que veio. Quais são as perspectivas para os próximos meses?
SILVANA – Este é o ano que o Mais Cultura precisa de fato estar na rua, em todo território nacional. Como várias coisas são fruto de edital, os resultados de 2008 vão ficar mais visíveis em 2009. As bibliotecas vão receber os kits. Os pontinhos, R$ 18 mil cada um. O Plano Nacional de Cultura está sendo enviado ao Congresso agora em fevereiro. O ano de 2008 foi de lançamento dos editais e agora estamos na conclusão das ações.
Entrevista publicada no Jornal do Commercio do dia 19.01.2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Calendário FUNDARPE 2009
18/12/2008
Fundarpe divulga novidades
Em 2009, não faltará espaço para a celebração da cultura pernambucana. Muitas atividades e ações culturais estão programadas para todo o Estado. Ontem à tarde, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) divulgou o calendário cultural pernambucano para o ano que está chegando. E sobram novidades. A principal delas é a contemplação das 12 Regiões de Desenvolvimento (RDs) estadual, por meio da escolha de cidades-pólo, as quais terão uma agenda intensa e constante de eventos. Ao todo serão 89 dias de atividades, um investimento estadual na casa de R$ 12 milhões, além da geração de 15 mil postos de empregos diretos, segundo a Fundarpe.
O calendário cultural foi dividido em dois setores: os festivais e os ciclos festivos. O primeiro corresponde ao Festival Pernambuco Nação Cultural, que não mais se restringirá aos meses de junho, julho e agosto. Acontecerá o ano inteiro, recheando os municípios-pólo de espetáculos cênicos, apresentações de grupos musicais, recitais de poesia, mostra de cinema, exposições de artes plásticas e oficinas.
A programação do festival começa em março pela cidade de Goiana - com a celebração da primeira assembléia indígena do Brasil -, passa pelo já consolidado Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), em julho, em Garanhuns, e finaliza com a comemoração do aniversário de Luiz Gonzaga no mês de dezembro. No evento também está agendada as apresentações da aula-espetáculo “O Castelo, a Cadência e a Cantoria” ministrado por Ariano Suassuna e o repentista Oliveira das Panelas.
Os quatro ciclos festivos do Estado - carnavalesco, das paixões, junino e natalino - também terão atenção especial e, da mesma forma, estarão presentes nas 12 RDs. Uma das novidades para 2009 é instalação de um pólo de animação no Memorial Arcoverde, que se localiza no limite das cidades do Recife e Olinda. Durante o carnaval, além do Recife/Olinda, outras nove cidades serão sede desse ciclo festivo. No período junino, 12 municípios estarão integrados ao ciclo assim como a capital.
Diante da grande tradição do Estado, o ciclo das paixões também receberá uma atenção especial da Fundarpe, que irá garantir apoio aos espetáculos cênicos nas quatro macrorregiões do Estado: RMR, Zona da Mata, Agreste e Sertão. No Natal, os festejos acontecerão não apenas no Recife e Olinda, serão estendidos às cidades de Aliança, Caruaru e Triunfo. “O calendário cultural de Pernambuco 2009 vem se somar aos eventos já consolidados da produção independente, como mostras e festivais, além de festividades culturais e religiosas que acontecem do cais ao sertão”, destacou a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo.
Matéria publicada na Folha de Pernambuco do dia 18.12.2008
Fundarpe divulga novidades
Em 2009, não faltará espaço para a celebração da cultura pernambucana. Muitas atividades e ações culturais estão programadas para todo o Estado. Ontem à tarde, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) divulgou o calendário cultural pernambucano para o ano que está chegando. E sobram novidades. A principal delas é a contemplação das 12 Regiões de Desenvolvimento (RDs) estadual, por meio da escolha de cidades-pólo, as quais terão uma agenda intensa e constante de eventos. Ao todo serão 89 dias de atividades, um investimento estadual na casa de R$ 12 milhões, além da geração de 15 mil postos de empregos diretos, segundo a Fundarpe.
O calendário cultural foi dividido em dois setores: os festivais e os ciclos festivos. O primeiro corresponde ao Festival Pernambuco Nação Cultural, que não mais se restringirá aos meses de junho, julho e agosto. Acontecerá o ano inteiro, recheando os municípios-pólo de espetáculos cênicos, apresentações de grupos musicais, recitais de poesia, mostra de cinema, exposições de artes plásticas e oficinas.
A programação do festival começa em março pela cidade de Goiana - com a celebração da primeira assembléia indígena do Brasil -, passa pelo já consolidado Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), em julho, em Garanhuns, e finaliza com a comemoração do aniversário de Luiz Gonzaga no mês de dezembro. No evento também está agendada as apresentações da aula-espetáculo “O Castelo, a Cadência e a Cantoria” ministrado por Ariano Suassuna e o repentista Oliveira das Panelas.
Os quatro ciclos festivos do Estado - carnavalesco, das paixões, junino e natalino - também terão atenção especial e, da mesma forma, estarão presentes nas 12 RDs. Uma das novidades para 2009 é instalação de um pólo de animação no Memorial Arcoverde, que se localiza no limite das cidades do Recife e Olinda. Durante o carnaval, além do Recife/Olinda, outras nove cidades serão sede desse ciclo festivo. No período junino, 12 municípios estarão integrados ao ciclo assim como a capital.
Diante da grande tradição do Estado, o ciclo das paixões também receberá uma atenção especial da Fundarpe, que irá garantir apoio aos espetáculos cênicos nas quatro macrorregiões do Estado: RMR, Zona da Mata, Agreste e Sertão. No Natal, os festejos acontecerão não apenas no Recife e Olinda, serão estendidos às cidades de Aliança, Caruaru e Triunfo. “O calendário cultural de Pernambuco 2009 vem se somar aos eventos já consolidados da produção independente, como mostras e festivais, além de festividades culturais e religiosas que acontecem do cais ao sertão”, destacou a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo.
Matéria publicada na Folha de Pernambuco do dia 18.12.2008
Secretaria de Cultura do Recife
SUCESSÃO
Renato L vai tirar o boné pela cultura
Publicado em 17.12.2008
Jornalista, que assume lugar de João Roberto Peixe, diz que não vai fazer gestão paternalista
Fabiana Moraes e José Teles
fmoraes@jc.com.br e teles@jc.com.br
Sim, o futuro secretário de cultura do Recife, o jornalista Renato Lins – ou simplesmente Renato L –, vai aposentar o boné. O acessório, que acompanha o rapaz há décadas, pode não casar muito bem com o obrigatório terno que o futuro gestor público irá envergar. “Vou precisar de ajuda do terapeuta”, brinca ele sobre a difícil separação. O convite para participar do governo João da Costa aconteceu no sábado (13): Renato estava em casa, em Candeias, quando recebeu o telefonema de João Roberto Peixe, atual secretário de cultura. “Para mim foi uma surpresa. Não sou filiado a nenhum partido, apesar de votar no PT desde 1989. Peixe pediu que eu desse continuidade ao trabalho que ele tem feito na secretaria”, diz. A tal continuidade, no entanto, não significa, segundo o futuro secretário, um engessamento do modelo atual de gestão. Há, reconhece ele, pontos que precisam ser analisados. “Vou aperfeiçoar o Multicultural onde ele deve ser melhorado, ampliar o acesso da população do Recife aos bens culturais. Vou mudar o que julgar necessário”, diz ele, que elogia o comando do designer João Roberto Peixe: “Me sentia representado com ele na prefeitura”.
Renato, 43 anos, admite que sua pouca proximidade em relação à máquina pública – sua experiência maior nesse setor é sua participação, durante cinco anos, no Conselho Municipal de Cultura – assusta, mas não intimida. “Coloquei isso quando fui convidado, falei que não tinha essa experiência. Mas quem não enfrenta desafio não faz nada. Vou driblar isso me cercando de uma equipe eficiente, de pessoas que sejam hábeis em suas áreas”. Um dos mentores do movimento mangue (onde era “ministro da informação”), o futuro secretário também já realizou o projeto Acorda Povo, onde levou oficinas de moda, música, reciclagem e grafite para as periferias da cidade, que também conferiam shows das bandas Nação Zumbi e Devotos.
Enquanto a própria classe artística ainda está bastante surpresa com a indicação (veja arte ao lado), Renato vai tentando deixar a ficha cair. “Foi tudo muito rápido. Acho que a indicação deve-se à minha ligação com o manguebeat, pois pensaram também em Fred Zeroquatro, que não aceitou por causa da banda”. Seu único contato com João da Costa, que assume a prefeitura do Recife no próximo dia 1º de janeiro, aconteceu durante a divulgação do novo secretariado, na segunda (15). O jornalista se reuniu com Peixe, mas mal teve contato com o organograma da pasta. Os nomes para assumir equipamentos como museus, teatros e fundações municipais também ainda não foram pensados, apesar de Renato adiantar que o ator e coordenador do Carnaval da cidade, André Brasileiro, permanece na sua função. “Não faz sentido mudar agora um processo que já foi iniciado e que vem dando certo. Vamos avaliar qualquer mudança só após o fim do próximo Carnaval”. Quanto ao comando de locais como o Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (Mamam), atualmente sem um gestor após saída de Cristiana Tejo, ele é cuidadoso: “É preciso avaliar a gestão e os problemas de cada um deles para ver o que que ser mantido ou substituído”.
SEM ELITISMO
Apesar da maior proximidade com a esfera da música, Renato Lins afirma que áreas como artes visuais, cênicas, literatura e audiovisual terão visibilidade em sua gestão. “Não vou ser secretário apenas de uma área. Estou tranqüilo e as pessoas também podem ficar. Peixe é designer e não contemplou apenas esta área”, comenta.
Apesar de, claro, não ter ainda nenhum projeto definido para o futuro, o jornalista afirma que não vai adotar um postura paternalista ou elitista em relação a escolha dos produtos culturais oferecidos na cidade (principalmente na questão dos shows, ponto forte do Carnaval e do São João). O fenômeno do brega, tão forte na cidade, é um dos assuntos que ele quer incorporar ao Programa Multicultural. Falando sobre shows e público popular, ele é enfático sobre a polêmica levantada com a apresentação de Sandy e Júnior na cidade em 2004 (o show, definido pelo prefeito João Paulo como “um presente” para a cidade, custou R$ 480 mil e foi bastante criticado). “Achei um equívoco. A intenção foi boa, mas cabe ao poder público levar para um local como o Marco Zero artistas que não circulam tanto na grande mídia. Eu também acharia equivocado levar a Nação Zumbi se a banda vendesse milhões.”
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 17.12.2008
Renato L vai tirar o boné pela cultura
Publicado em 17.12.2008
Jornalista, que assume lugar de João Roberto Peixe, diz que não vai fazer gestão paternalista
Fabiana Moraes e José Teles
fmoraes@jc.com.br e teles@jc.com.br
Sim, o futuro secretário de cultura do Recife, o jornalista Renato Lins – ou simplesmente Renato L –, vai aposentar o boné. O acessório, que acompanha o rapaz há décadas, pode não casar muito bem com o obrigatório terno que o futuro gestor público irá envergar. “Vou precisar de ajuda do terapeuta”, brinca ele sobre a difícil separação. O convite para participar do governo João da Costa aconteceu no sábado (13): Renato estava em casa, em Candeias, quando recebeu o telefonema de João Roberto Peixe, atual secretário de cultura. “Para mim foi uma surpresa. Não sou filiado a nenhum partido, apesar de votar no PT desde 1989. Peixe pediu que eu desse continuidade ao trabalho que ele tem feito na secretaria”, diz. A tal continuidade, no entanto, não significa, segundo o futuro secretário, um engessamento do modelo atual de gestão. Há, reconhece ele, pontos que precisam ser analisados. “Vou aperfeiçoar o Multicultural onde ele deve ser melhorado, ampliar o acesso da população do Recife aos bens culturais. Vou mudar o que julgar necessário”, diz ele, que elogia o comando do designer João Roberto Peixe: “Me sentia representado com ele na prefeitura”.
Renato, 43 anos, admite que sua pouca proximidade em relação à máquina pública – sua experiência maior nesse setor é sua participação, durante cinco anos, no Conselho Municipal de Cultura – assusta, mas não intimida. “Coloquei isso quando fui convidado, falei que não tinha essa experiência. Mas quem não enfrenta desafio não faz nada. Vou driblar isso me cercando de uma equipe eficiente, de pessoas que sejam hábeis em suas áreas”. Um dos mentores do movimento mangue (onde era “ministro da informação”), o futuro secretário também já realizou o projeto Acorda Povo, onde levou oficinas de moda, música, reciclagem e grafite para as periferias da cidade, que também conferiam shows das bandas Nação Zumbi e Devotos.
Enquanto a própria classe artística ainda está bastante surpresa com a indicação (veja arte ao lado), Renato vai tentando deixar a ficha cair. “Foi tudo muito rápido. Acho que a indicação deve-se à minha ligação com o manguebeat, pois pensaram também em Fred Zeroquatro, que não aceitou por causa da banda”. Seu único contato com João da Costa, que assume a prefeitura do Recife no próximo dia 1º de janeiro, aconteceu durante a divulgação do novo secretariado, na segunda (15). O jornalista se reuniu com Peixe, mas mal teve contato com o organograma da pasta. Os nomes para assumir equipamentos como museus, teatros e fundações municipais também ainda não foram pensados, apesar de Renato adiantar que o ator e coordenador do Carnaval da cidade, André Brasileiro, permanece na sua função. “Não faz sentido mudar agora um processo que já foi iniciado e que vem dando certo. Vamos avaliar qualquer mudança só após o fim do próximo Carnaval”. Quanto ao comando de locais como o Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (Mamam), atualmente sem um gestor após saída de Cristiana Tejo, ele é cuidadoso: “É preciso avaliar a gestão e os problemas de cada um deles para ver o que que ser mantido ou substituído”.
SEM ELITISMO
Apesar da maior proximidade com a esfera da música, Renato Lins afirma que áreas como artes visuais, cênicas, literatura e audiovisual terão visibilidade em sua gestão. “Não vou ser secretário apenas de uma área. Estou tranqüilo e as pessoas também podem ficar. Peixe é designer e não contemplou apenas esta área”, comenta.
Apesar de, claro, não ter ainda nenhum projeto definido para o futuro, o jornalista afirma que não vai adotar um postura paternalista ou elitista em relação a escolha dos produtos culturais oferecidos na cidade (principalmente na questão dos shows, ponto forte do Carnaval e do São João). O fenômeno do brega, tão forte na cidade, é um dos assuntos que ele quer incorporar ao Programa Multicultural. Falando sobre shows e público popular, ele é enfático sobre a polêmica levantada com a apresentação de Sandy e Júnior na cidade em 2004 (o show, definido pelo prefeito João Paulo como “um presente” para a cidade, custou R$ 480 mil e foi bastante criticado). “Achei um equívoco. A intenção foi boa, mas cabe ao poder público levar para um local como o Marco Zero artistas que não circulam tanto na grande mídia. Eu também acharia equivocado levar a Nação Zumbi se a banda vendesse milhões.”
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 17.12.2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
PONTOS DE CULTURA
Edital aprova 81 entidades
Publicado em 02.12.2008
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e o Ministério da Cultura (MinC) anunciaram ontem os 81 grupos e entidades sediados no Estado aprovados no edital dos Pontos de Cultura. São 40 entidades do interior e 41 da Região Metropolitana do Recife, que terão direto a um repasse financeiro de até R$ 180 mil reais, em três parcelas anuais, para a manutenção das atividades, totalizando um investimento de R$ 21,6 milhões – dois terços oriundos da União e um terço do Estado.
O objetivo do 1º Concurso de Seleção para a Implementação de Pontos de Cultura do Estado é descentralizar as ações do programa Mais Cultura, do Governo Federal, com a criação de 120 Pontos de Cultura em todas as Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco. O concurso teve 150 inscritos. Como 39 das vagas previstas não foram preenchidas porque os candidatos não cumpriram com todos os requisitos, um novo edital será realizado em 2009, do qual poderam concorrer entidades que não foram contempladas desta vez.
A presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, comemorou o fato de quase 50% dos aprovados serem do interior do Estado e atribui esse resultado aos programas de capacitação realizado pelo órgão. “É de extrema importância que a política pública de cultura chegue ao interior. Em contrapartida, os contemplados ministrarão aulas-espetáculos em programação a ser definida pela Fundarpe, integrando uma Rede de Pontos de Cultura a ser gerido pela entidade pernambucana”, disse Luciana.
Para analisar todas as propostas inscritas no concurso, a Fundarpe designou uma comissão formada por 12 membros, entre representantes do Poder Público e da sociedade civil.
A segunda região a ter mais entidades aprovadas foi o Agreste, com 15 novos pontos de cultura (7 no Agreste Central, 6 no Agreste Meridional e 2 no Agreste Setentrional). No Sertão, 14 entidades passarão a receber o incentivo e na Zona da Mata, haverá 11 novos pontos.
Dos grupos selecionados, 55 trabalham com temáticas sócio-culturais, 11 grupos são ligados a matrizes africanas, 6 entidades trabalham junto a comunidades quilombolas e 4 com indígenas. Outros 5 têm temática artesanal.
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 02.12.2008
Publicado em 02.12.2008
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e o Ministério da Cultura (MinC) anunciaram ontem os 81 grupos e entidades sediados no Estado aprovados no edital dos Pontos de Cultura. São 40 entidades do interior e 41 da Região Metropolitana do Recife, que terão direto a um repasse financeiro de até R$ 180 mil reais, em três parcelas anuais, para a manutenção das atividades, totalizando um investimento de R$ 21,6 milhões – dois terços oriundos da União e um terço do Estado.
O objetivo do 1º Concurso de Seleção para a Implementação de Pontos de Cultura do Estado é descentralizar as ações do programa Mais Cultura, do Governo Federal, com a criação de 120 Pontos de Cultura em todas as Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco. O concurso teve 150 inscritos. Como 39 das vagas previstas não foram preenchidas porque os candidatos não cumpriram com todos os requisitos, um novo edital será realizado em 2009, do qual poderam concorrer entidades que não foram contempladas desta vez.
A presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, comemorou o fato de quase 50% dos aprovados serem do interior do Estado e atribui esse resultado aos programas de capacitação realizado pelo órgão. “É de extrema importância que a política pública de cultura chegue ao interior. Em contrapartida, os contemplados ministrarão aulas-espetáculos em programação a ser definida pela Fundarpe, integrando uma Rede de Pontos de Cultura a ser gerido pela entidade pernambucana”, disse Luciana.
Para analisar todas as propostas inscritas no concurso, a Fundarpe designou uma comissão formada por 12 membros, entre representantes do Poder Público e da sociedade civil.
A segunda região a ter mais entidades aprovadas foi o Agreste, com 15 novos pontos de cultura (7 no Agreste Central, 6 no Agreste Meridional e 2 no Agreste Setentrional). No Sertão, 14 entidades passarão a receber o incentivo e na Zona da Mata, haverá 11 novos pontos.
Dos grupos selecionados, 55 trabalham com temáticas sócio-culturais, 11 grupos são ligados a matrizes africanas, 6 entidades trabalham junto a comunidades quilombolas e 4 com indígenas. Outros 5 têm temática artesanal.
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 02.12.2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Vídeo
Democracia digital
Festival de Vídeo de Pernambuco, que começa hoje no Teatro do Parque, procura se adaptar às novas tecnologias
Júlio Cavani // Diario
juliocavani.pe@diariosassociados.com.br
Em sua décima edição, o Festival de Vídeo de Pernambuco encontra-se em um momento de redefinição. Quando a mostra começou, em 1998, os trabalhos ainda eram entregues em fitas VHS. Dez anos depois, as tecnologias digitais promovem uma revolução que faz a produção local se multiplicar em vários aspectos. O evento continua o mesmo, sem grandes mudanças no formato geral, mas o contexto do setor audiovisual mudou completamente.
Voltage . Foto: William Paiva/DivulgaçãoA popularização das câmeras de vídeo digital fez muita gente começar a filmar, pois tudo ficou mais fácil, principalmente a edição, que hoje em dia pode ser feita em qualquer computador ou laptop, sem a necessidade de ilhas fechadas cobertas de equipamentos. As câmeras de filmagem também invadiram o cotidiano.Faculdades e cursos de cinema, que há dez anos praticamente não existiam em Pernambuco, também têm se multiplicado. Os selos dessas instituições aparecem em vários dos curtas selecionados este ano. Isso produz uma saframais jovem, cheia de nomes desconhecidos que podem surpreender. A democratização também é visível na programação deste ano. Um dos concorrentes na categoria de documentários foi produzido pelos índios da tribo Xucuru, que, a exemplo de outros povos indígenas, transformaram o vídeo em instrumento de luta política. A edição 2008 traz, ainda, um incremento na participação de videastas do interior, originários de cidades como Petrolina, Caruaru, Garanhuns, Arcoverde, Gravatá e Limoeiro.No caso específico da categoria de videoclipes, a mudança se deu principalmente nas formas de veiculação. Os vídeos musicais, agora, são produzidos para serem exibidos principalmente na internet, pois as redes de televisão estão cada vez mais distantes, enquanto a rede virtual se mostra um caminho aberto, prático, acessível e gratuito. Neste ano, inclusive, todos os curtas do Festival de Vídeo de Pernambuco podem ser assistidos no endereço www.nacaocultural.pe.gov.br.A não ser nos casos de exercício estético, o padrão técnico deimagem também foi elevado. Câmeras com definição visual comparável a dos filmes de película já são uma realidade gradativamente acessível. Isso amplia o alcance dos curtas, que podem chegar aos maiores festivais do mundo (quase todos já abertos às projeções digitais) sem a necessidade de maiores estruturas financeiras.O Festival de Vídeo de Pernambuco atualmente tem cinco categorias: documentário, ficção, experimental, animação e videoclipe. O vencedor de cada uma recebe um prêmio de R$ 3,5 mil. O segundo lugar ganha R$ 2,5 mil e o terceiro tem direito a R$ 1,5 mil. Os 65 trabalhos da programação foram escolhidos entre 140 inscritos (o maior número de todas as edições), avaliados por uma comissão formada por críticos de cinema, representantes de entidades e profissionais de audiovisual. As sessões ocorrem hoje, amanhã e quarta, no Teatro do Parque, com início às 17h.
Matéria publicada no Diario de Pernambuco do dia 01.12.2008
Festival de Vídeo de Pernambuco, que começa hoje no Teatro do Parque, procura se adaptar às novas tecnologias
Júlio Cavani // Diario
juliocavani.pe@diariosassociados.com.br
Em sua décima edição, o Festival de Vídeo de Pernambuco encontra-se em um momento de redefinição. Quando a mostra começou, em 1998, os trabalhos ainda eram entregues em fitas VHS. Dez anos depois, as tecnologias digitais promovem uma revolução que faz a produção local se multiplicar em vários aspectos. O evento continua o mesmo, sem grandes mudanças no formato geral, mas o contexto do setor audiovisual mudou completamente.
Voltage . Foto: William Paiva/DivulgaçãoA popularização das câmeras de vídeo digital fez muita gente começar a filmar, pois tudo ficou mais fácil, principalmente a edição, que hoje em dia pode ser feita em qualquer computador ou laptop, sem a necessidade de ilhas fechadas cobertas de equipamentos. As câmeras de filmagem também invadiram o cotidiano.Faculdades e cursos de cinema, que há dez anos praticamente não existiam em Pernambuco, também têm se multiplicado. Os selos dessas instituições aparecem em vários dos curtas selecionados este ano. Isso produz uma saframais jovem, cheia de nomes desconhecidos que podem surpreender. A democratização também é visível na programação deste ano. Um dos concorrentes na categoria de documentários foi produzido pelos índios da tribo Xucuru, que, a exemplo de outros povos indígenas, transformaram o vídeo em instrumento de luta política. A edição 2008 traz, ainda, um incremento na participação de videastas do interior, originários de cidades como Petrolina, Caruaru, Garanhuns, Arcoverde, Gravatá e Limoeiro.No caso específico da categoria de videoclipes, a mudança se deu principalmente nas formas de veiculação. Os vídeos musicais, agora, são produzidos para serem exibidos principalmente na internet, pois as redes de televisão estão cada vez mais distantes, enquanto a rede virtual se mostra um caminho aberto, prático, acessível e gratuito. Neste ano, inclusive, todos os curtas do Festival de Vídeo de Pernambuco podem ser assistidos no endereço www.nacaocultural.pe.gov.br.A não ser nos casos de exercício estético, o padrão técnico deimagem também foi elevado. Câmeras com definição visual comparável a dos filmes de película já são uma realidade gradativamente acessível. Isso amplia o alcance dos curtas, que podem chegar aos maiores festivais do mundo (quase todos já abertos às projeções digitais) sem a necessidade de maiores estruturas financeiras.O Festival de Vídeo de Pernambuco atualmente tem cinco categorias: documentário, ficção, experimental, animação e videoclipe. O vencedor de cada uma recebe um prêmio de R$ 3,5 mil. O segundo lugar ganha R$ 2,5 mil e o terceiro tem direito a R$ 1,5 mil. Os 65 trabalhos da programação foram escolhidos entre 140 inscritos (o maior número de todas as edições), avaliados por uma comissão formada por críticos de cinema, representantes de entidades e profissionais de audiovisual. As sessões ocorrem hoje, amanhã e quarta, no Teatro do Parque, com início às 17h.
Matéria publicada no Diario de Pernambuco do dia 01.12.2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
ARTE E ENTRETENIMENTO
Cultura em tempos de crise
Publicado em 09.11.2008
A pergunta que ronda o setor é se a crise na economia norte-americana privará o recifense de grandes atrações
Mirella Martins
Especial para o JC
A pergunta é inevitável: se diversos setores, em todo o mundo, se mostram inquietos em relação aos reflexos que a crise na economia norte-americana trará, por que com a cultura e o entretenimento seria diferente? Especulações e dúvidas começam a circular entre artistas e produtores. Eles vigiam o horizonte para rastrear, ao longe, os principais indicadores de instabilidade. Alguns já se fazem notar. As casas de leilão Sotherby´s e Christie´s amargaram lucros menores, neste final de ano, considerando que, desde 2005, vinham batendo recordes na arrecadação. Na última participação, a Christie´s só conseguiu vender 21 dos 47 lotes postos à venda, arrecadando apenas US$ 55 milhões em vez dos esperados US$ 132 milhões. Segundo quem entende do riscado, o momento é de cautela, mas não de desespero. No Recife, por exemplo, inúmeras atrações internacionais – pagas em dólar e com alto custo de realização – estão sendo mantidas e a expectativa é de que shows como o de Charles Aznavour, que encheu os olhos dos recifenses, continuem acontecendo.
CRISE E CULTURA
De olho no que promete o futuro
Publicado em 09.11.2008
Produtores garantem que impacto da crise ainda não foi sentido, mas acreditam que ele virá a médio e longo prazo e se preparam para isso
No Brasil, os diversos setores da economia ainda não perceberam movimentação negativa com a crise que se abateu sobre os EUA e espalha seus reflexos mundo afora. Os produtores garantem, no entanto, que o impacto virá a médio e longo prazo, principalmente, pela alta na cotação do dólar.
Na área de cinema, por exemplo, o aluguel de equipamentos fica mais caro. Segundo João Júnior, da Rec Produtora, a crise chegará, mas não ainda este ano. “Os produtores se utilizam de fundos internacionais para desenvolvimento de projetos. Essas empresas possuem verbas anuais programadas. Para 2009, os investidores devem ficar mais cautelosos com o valor a repassar para essas instituições”, explica. Para driblar esta realidade, João Jr. aposta na criatividade para conquistar outras formas de financiamento, seja diminuindo a equipe ou trabalhando com um orçamento mais baixo.
A programação de shows e exposições também sofre porque os contratos são pagos em dólar, de acordo com o preço da moeda na data da apresentação. Passagens também são pagas em moeda estrangeira. Depois de vinda de bons shows no Brasil este ano – Aerosmith, U2 e Madonna, para citar apenas três – o País pode voltar ao hiato mercadológico em relação ao cenário internacional, se o preço da moeda americana continuar a subir.
A Mondo, que trouxe Ben Harper, Dave Mathews Band e está trazendo R.E.M. esta semana, afirma que, até agora, nada foi cancelado. Segundo seu produtor, William Crunfli, cautela é o sentimento do momento. “Existem três grandes shows “gringos” para janeiro e fevereiro que não foram fechados por conta da volatilidade do mercado. Estamos no aguardo”, avalia.
No Recife, o sentimento é o mesmo. Para o gerente de marketing da Chevrolet Hall, Manolo, a casa possui um calendário anual de 24 shows por ano, sendo quatro internacionais. “Este ano, já trouxemos Scorpions, Charles Aznavour e já começamos a vender BJ Thomas para o dia 5”, adianta. O executivo teme que o preço alto do dólar aumente os valores dos cachês, inviabilizando futuras contratações. “Temos mais dois nomes para trazer no começo de 2009, mas resolvemos esperar mais um pouco para ver se o cenário melhorar”, avalia.
O produtor João Marinho, da Black Out Discos, responsável por trazer as principais bandas de metal para apresentações no Recife, não sente – ainda – qualquer prejuízo por conta do aumento do câmbio. “Tinha pago o cachê do Symphony X desde abril com dólar a R$ 1,60”, comemora. Para ele, a alta da moeda não poderá ultrapassar o teto de R$ 2,10 para não prejudicar futuras negociações. “Tenho agendada uma outra banda para janeiro, mas já paguei a metade”, antecipa o empresário, que já trouxe nomes como Angra, Kreator, Destruction e Possessed.
Gustavo Agra, da Art Rec, é mais confiante. Acredita que o mercado se adapta às diferentes realidades. Em Cuba, onde está fechando novos projetos, o empresário começa a concluir a agenda de shows para o próximo ano. “Temos usado o argumento da crise para baixar os cachês, mas as companhias de dança não são sensíveis a esta realidade. O jeito foi cancelar algumas coisas que estavam pré-agendadas como o Ballet Moderno da Ucrânia e a Ópera Nacional da Rússia”, explica. Ele acrescenta que ainda estuda a possibilidade de produzir localmente o Momix, o Phillobolus e o Béjart Ballet, mas precisa de patrocínio, tanto público quanto privado. Mesmo com discurso pouco animador, o produtor garantiu Ballet Nacional de Cuba, Ballet Imperial da Russia, o Ballet de Marseille e a Orquestra Nacional da França.
CRISE E CULTURA
Mundo busca alternativas criativas
Publicado em 09.11.2008
A nada modesta quantia de 39 milhões de dólares foi quanto o banco Lehman Brothers, que entrou em colapso há dois meses, doou para o MoMa, um dos mais respeitados museus em Nova Iorque. A ausência deste e de outros mecenas – que foram arrastados pela quebradeira bancária nos EUA – gerou especulações: qual, e com que intensidade, será o abalo sentido no mundo das artes? Estaria este tipo de filantropia com os dias contados?
Na Alemanha, empresários aproveitam este momento para melhorar a imagem desgastada de suas empresas, investindo em arte como forma de atingir este objetivo. Segundo o economista Michael Hutter, do Centro de Pesquisa de Ciência Social em Berlim, este paradigma funciona melhor em companhias com pouca visibilidade de mídia, tais como seguradoras (normalmente consideradas as vilãs em caso de situações problemáticas). O Deutsche Bank tinha programado exposição de esculturas e pinturas da época renascentista para o final do ano, mas resolveu antecipar o lançamento, aproveitando o caos no mercado financeiro. Sobre o futuro, ninguém fala, sequer especulam, preferem evitar qualquer tipo de garantia a respeito da manutenção na política de favorecimento às artes. Analistas acreditam que o setor cultural sofrerá com esta recessão a médio e longo prazo, mas o impacto em relação às artes visuais será menor. Na Alemanha, a maior parte dos investimentos culturais é estatal.
Em Moscou, o tom da conversa é “o que fazer para diminuir perdas?”. Entretanto, não se fala em recessão. Semana passada, o maior produtor de séries de TV russa anunciou que todos os projetos ficarão em stand by. O motivo é a incerteza do cenário, acrescida ao medo de uma possível falta de anunciantes. Já o pessoal das artes cênicas aposta na criatividade para reverter a situação. A receita do sucesso é o marketing cultural. Peças da Broadway e do circuito Hollywood criaram um slogan “pague o que pode”. Funciona assim: você paga o que acha que vale/ou tem para pagar (o valor em média custa 50 doláres, mas o mínimo é de 1 dólar). No entanto, esta ação só é válida para as sessões matinês. O resultado está sendo positivo: casa cheia e ingressos na média de 20 dólares.
Com o mote “Relaxe em época estressante”, a idéia dos produtores é criar para o público uma alternativa para um colapso nervoso, em outras palavras, uma válvula de escape. Os musicais são os mais procurados. Idéia semelhante aconteceu em Londres, durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade sendo bombardeada e os teatros cheios. Segundo especialistas americanos, há pesquisas que comprovam que, durante a crise, as pessoas tendem a gastar mais em entretenimento.
Ironicamente, poucos filmes foram lançados nesta temporada de oscilação cambial. Produtores começam a procurar outras fontes de financiamento para os seus projetos, em substituição ao fundos de investimento e aos bancos. Enquanto isso, em Hollywood, a palavra crise não é citada. Em meados de 2009, já está previsto o lançamento de mais de 40 filmes. E mais: os estúdios já asseguraram milhões de dólares para Avatar, de James Cameron, e Homem de Ferro 2, de novo com Robert Downey Jr. como protagonista. Ambos projetos serão para entre 2010 e 2011.
Outras produções de grande expectativa nesse período são Edwin A. Salt, com Angelina Jolie, Alice in Wonderland, de Tim Burton, A-Team, RoboCop, de Darren Aronofsky, Thor, de Kenneth Branagh, a sequência de Sex and the city e Nottingham, a nova colaboração entre Ridley Scott e Russell Crowe.
CRISE E CULTURA
Cultura mantém estreita relação com a economia
Publicado em 09.11.2008
Segundo o escritor Affonso Romano Sant’Anna, a aproximação entre economia e arte é exemplar e didática. “Não se pode falar de arte sem falar de mercado e economia, e não se deve falar de economia e mercado sem falar de arte conceitual”, analisa. Para o escritor, a frase “a arte imita a vida, a vida imita a arte” pode ser aplicada agora à economia.
“Em 1919, Marcel Duchamp fabricou um cheque para pagar uma dívida, depois criou também por sua conta “ações” do Cassino Monte Carlo. Exatamente como esses bancos americanos estão fazendo agora dando um prejuízo mundial incalculável nas bolsas de valores, posto que só nos Estados Unidos a falcatrua beira um trilhão de dólares”, argumenta Sant’Anna.
Se você quer entender ou passar ileso à crise, vale – e muito – buscar uma ajuda nos livros. Passe numa livraria e procure algo para lhe proporcionar maior segurança. Na Livraria Saraiva, do Shopping Recife, o aumento de vendas está interligada a área de auto-ajuda. “Antes do estouro da crise, estávamos com uma procura, além do previsto, em relação a títulos sobre a Bolsa de Valores, agora isso mudou, vende-se mais obras de auto-ajuda”, explica a gerente Tânia Cavalcante. Investimento inteligente é um dos mais procurados na loja. Prova disso é sua inclusão na lista dos mais vendidos da Revista Veja.
Segundo a Amazon, maior livraria da Internet, houve um aumento em relação aos títulos financeiros. A bola de neve, primeira biografia autorizada do bilionário Warren Buffett (cujo fundo Berkshire Hathaway já investiu 8 bilhões no Goldman Sachs e na General Electric) tornou-se um best-seller em Nova Iorque.
GOVERNO
O Ministério da Cultura anunciou que o orçamento 2009 será os mesmos R$ 800 milhões previstos para 2008. Até um mês atrás, durante sua visita ao Recife, o titular da pasta, Juca Ferreira, afirmava que a crise financeira mundial não teria efeitos negativos no seu prognóstico. Ele confirmou que há um movimento no Congresso Nacional para que o governo reduza seus gastos em 2009 para enfrentar a crise.
A esperança do ministro é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva priorize a Cultura. “Acho que seremos poucos afetados porque nossa área se insere no campo social. Tenho expectativa de que o corte não seja significativo. Se não reduzir, já será positivo”, avaliou. Para superar os efeitos da crise, Juca Ferreira propõe pedir socorro às empresas públicas e privadas do País.
Segundo o analista financeiro Roberto Ferreira, existe uma diferença entre o valor nominal e o valor real do orçamento destinado à Cultura. O primeiro permanece o mesmo, mas o segundo (o poder de compra) teve um decréscimo por conta da inflação do período (cerca de 5%). Com isso, o orçamento valerá R$ 761 milhões.
Por outro lado, a maior empresa brasileira, a Petrobras anunciou um novo investimento de R$ 40 milhões para seu programa Petrobras Cultural até o final do ano, apesar da volatilidade das bolsas. O valor liberado é de R$ 40 milhões, que se soma aos R$ 38 milhões já então liberados para esse ano. De acordo com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, esses projetos têm grandes impactos sociais no País e não podem ser afetados pela crise e, portanto, devem estar imunes aos efeitos, que podem surgir nos próximos meses. (M.M.)
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 09.11.2008
Cultura em tempos de crise
Publicado em 09.11.2008
A pergunta que ronda o setor é se a crise na economia norte-americana privará o recifense de grandes atrações
Mirella Martins
Especial para o JC
A pergunta é inevitável: se diversos setores, em todo o mundo, se mostram inquietos em relação aos reflexos que a crise na economia norte-americana trará, por que com a cultura e o entretenimento seria diferente? Especulações e dúvidas começam a circular entre artistas e produtores. Eles vigiam o horizonte para rastrear, ao longe, os principais indicadores de instabilidade. Alguns já se fazem notar. As casas de leilão Sotherby´s e Christie´s amargaram lucros menores, neste final de ano, considerando que, desde 2005, vinham batendo recordes na arrecadação. Na última participação, a Christie´s só conseguiu vender 21 dos 47 lotes postos à venda, arrecadando apenas US$ 55 milhões em vez dos esperados US$ 132 milhões. Segundo quem entende do riscado, o momento é de cautela, mas não de desespero. No Recife, por exemplo, inúmeras atrações internacionais – pagas em dólar e com alto custo de realização – estão sendo mantidas e a expectativa é de que shows como o de Charles Aznavour, que encheu os olhos dos recifenses, continuem acontecendo.
CRISE E CULTURA
De olho no que promete o futuro
Publicado em 09.11.2008
Produtores garantem que impacto da crise ainda não foi sentido, mas acreditam que ele virá a médio e longo prazo e se preparam para isso
No Brasil, os diversos setores da economia ainda não perceberam movimentação negativa com a crise que se abateu sobre os EUA e espalha seus reflexos mundo afora. Os produtores garantem, no entanto, que o impacto virá a médio e longo prazo, principalmente, pela alta na cotação do dólar.
Na área de cinema, por exemplo, o aluguel de equipamentos fica mais caro. Segundo João Júnior, da Rec Produtora, a crise chegará, mas não ainda este ano. “Os produtores se utilizam de fundos internacionais para desenvolvimento de projetos. Essas empresas possuem verbas anuais programadas. Para 2009, os investidores devem ficar mais cautelosos com o valor a repassar para essas instituições”, explica. Para driblar esta realidade, João Jr. aposta na criatividade para conquistar outras formas de financiamento, seja diminuindo a equipe ou trabalhando com um orçamento mais baixo.
A programação de shows e exposições também sofre porque os contratos são pagos em dólar, de acordo com o preço da moeda na data da apresentação. Passagens também são pagas em moeda estrangeira. Depois de vinda de bons shows no Brasil este ano – Aerosmith, U2 e Madonna, para citar apenas três – o País pode voltar ao hiato mercadológico em relação ao cenário internacional, se o preço da moeda americana continuar a subir.
A Mondo, que trouxe Ben Harper, Dave Mathews Band e está trazendo R.E.M. esta semana, afirma que, até agora, nada foi cancelado. Segundo seu produtor, William Crunfli, cautela é o sentimento do momento. “Existem três grandes shows “gringos” para janeiro e fevereiro que não foram fechados por conta da volatilidade do mercado. Estamos no aguardo”, avalia.
No Recife, o sentimento é o mesmo. Para o gerente de marketing da Chevrolet Hall, Manolo, a casa possui um calendário anual de 24 shows por ano, sendo quatro internacionais. “Este ano, já trouxemos Scorpions, Charles Aznavour e já começamos a vender BJ Thomas para o dia 5”, adianta. O executivo teme que o preço alto do dólar aumente os valores dos cachês, inviabilizando futuras contratações. “Temos mais dois nomes para trazer no começo de 2009, mas resolvemos esperar mais um pouco para ver se o cenário melhorar”, avalia.
O produtor João Marinho, da Black Out Discos, responsável por trazer as principais bandas de metal para apresentações no Recife, não sente – ainda – qualquer prejuízo por conta do aumento do câmbio. “Tinha pago o cachê do Symphony X desde abril com dólar a R$ 1,60”, comemora. Para ele, a alta da moeda não poderá ultrapassar o teto de R$ 2,10 para não prejudicar futuras negociações. “Tenho agendada uma outra banda para janeiro, mas já paguei a metade”, antecipa o empresário, que já trouxe nomes como Angra, Kreator, Destruction e Possessed.
Gustavo Agra, da Art Rec, é mais confiante. Acredita que o mercado se adapta às diferentes realidades. Em Cuba, onde está fechando novos projetos, o empresário começa a concluir a agenda de shows para o próximo ano. “Temos usado o argumento da crise para baixar os cachês, mas as companhias de dança não são sensíveis a esta realidade. O jeito foi cancelar algumas coisas que estavam pré-agendadas como o Ballet Moderno da Ucrânia e a Ópera Nacional da Rússia”, explica. Ele acrescenta que ainda estuda a possibilidade de produzir localmente o Momix, o Phillobolus e o Béjart Ballet, mas precisa de patrocínio, tanto público quanto privado. Mesmo com discurso pouco animador, o produtor garantiu Ballet Nacional de Cuba, Ballet Imperial da Russia, o Ballet de Marseille e a Orquestra Nacional da França.
CRISE E CULTURA
Mundo busca alternativas criativas
Publicado em 09.11.2008
A nada modesta quantia de 39 milhões de dólares foi quanto o banco Lehman Brothers, que entrou em colapso há dois meses, doou para o MoMa, um dos mais respeitados museus em Nova Iorque. A ausência deste e de outros mecenas – que foram arrastados pela quebradeira bancária nos EUA – gerou especulações: qual, e com que intensidade, será o abalo sentido no mundo das artes? Estaria este tipo de filantropia com os dias contados?
Na Alemanha, empresários aproveitam este momento para melhorar a imagem desgastada de suas empresas, investindo em arte como forma de atingir este objetivo. Segundo o economista Michael Hutter, do Centro de Pesquisa de Ciência Social em Berlim, este paradigma funciona melhor em companhias com pouca visibilidade de mídia, tais como seguradoras (normalmente consideradas as vilãs em caso de situações problemáticas). O Deutsche Bank tinha programado exposição de esculturas e pinturas da época renascentista para o final do ano, mas resolveu antecipar o lançamento, aproveitando o caos no mercado financeiro. Sobre o futuro, ninguém fala, sequer especulam, preferem evitar qualquer tipo de garantia a respeito da manutenção na política de favorecimento às artes. Analistas acreditam que o setor cultural sofrerá com esta recessão a médio e longo prazo, mas o impacto em relação às artes visuais será menor. Na Alemanha, a maior parte dos investimentos culturais é estatal.
Em Moscou, o tom da conversa é “o que fazer para diminuir perdas?”. Entretanto, não se fala em recessão. Semana passada, o maior produtor de séries de TV russa anunciou que todos os projetos ficarão em stand by. O motivo é a incerteza do cenário, acrescida ao medo de uma possível falta de anunciantes. Já o pessoal das artes cênicas aposta na criatividade para reverter a situação. A receita do sucesso é o marketing cultural. Peças da Broadway e do circuito Hollywood criaram um slogan “pague o que pode”. Funciona assim: você paga o que acha que vale/ou tem para pagar (o valor em média custa 50 doláres, mas o mínimo é de 1 dólar). No entanto, esta ação só é válida para as sessões matinês. O resultado está sendo positivo: casa cheia e ingressos na média de 20 dólares.
Com o mote “Relaxe em época estressante”, a idéia dos produtores é criar para o público uma alternativa para um colapso nervoso, em outras palavras, uma válvula de escape. Os musicais são os mais procurados. Idéia semelhante aconteceu em Londres, durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade sendo bombardeada e os teatros cheios. Segundo especialistas americanos, há pesquisas que comprovam que, durante a crise, as pessoas tendem a gastar mais em entretenimento.
Ironicamente, poucos filmes foram lançados nesta temporada de oscilação cambial. Produtores começam a procurar outras fontes de financiamento para os seus projetos, em substituição ao fundos de investimento e aos bancos. Enquanto isso, em Hollywood, a palavra crise não é citada. Em meados de 2009, já está previsto o lançamento de mais de 40 filmes. E mais: os estúdios já asseguraram milhões de dólares para Avatar, de James Cameron, e Homem de Ferro 2, de novo com Robert Downey Jr. como protagonista. Ambos projetos serão para entre 2010 e 2011.
Outras produções de grande expectativa nesse período são Edwin A. Salt, com Angelina Jolie, Alice in Wonderland, de Tim Burton, A-Team, RoboCop, de Darren Aronofsky, Thor, de Kenneth Branagh, a sequência de Sex and the city e Nottingham, a nova colaboração entre Ridley Scott e Russell Crowe.
CRISE E CULTURA
Cultura mantém estreita relação com a economia
Publicado em 09.11.2008
Segundo o escritor Affonso Romano Sant’Anna, a aproximação entre economia e arte é exemplar e didática. “Não se pode falar de arte sem falar de mercado e economia, e não se deve falar de economia e mercado sem falar de arte conceitual”, analisa. Para o escritor, a frase “a arte imita a vida, a vida imita a arte” pode ser aplicada agora à economia.
“Em 1919, Marcel Duchamp fabricou um cheque para pagar uma dívida, depois criou também por sua conta “ações” do Cassino Monte Carlo. Exatamente como esses bancos americanos estão fazendo agora dando um prejuízo mundial incalculável nas bolsas de valores, posto que só nos Estados Unidos a falcatrua beira um trilhão de dólares”, argumenta Sant’Anna.
Se você quer entender ou passar ileso à crise, vale – e muito – buscar uma ajuda nos livros. Passe numa livraria e procure algo para lhe proporcionar maior segurança. Na Livraria Saraiva, do Shopping Recife, o aumento de vendas está interligada a área de auto-ajuda. “Antes do estouro da crise, estávamos com uma procura, além do previsto, em relação a títulos sobre a Bolsa de Valores, agora isso mudou, vende-se mais obras de auto-ajuda”, explica a gerente Tânia Cavalcante. Investimento inteligente é um dos mais procurados na loja. Prova disso é sua inclusão na lista dos mais vendidos da Revista Veja.
Segundo a Amazon, maior livraria da Internet, houve um aumento em relação aos títulos financeiros. A bola de neve, primeira biografia autorizada do bilionário Warren Buffett (cujo fundo Berkshire Hathaway já investiu 8 bilhões no Goldman Sachs e na General Electric) tornou-se um best-seller em Nova Iorque.
GOVERNO
O Ministério da Cultura anunciou que o orçamento 2009 será os mesmos R$ 800 milhões previstos para 2008. Até um mês atrás, durante sua visita ao Recife, o titular da pasta, Juca Ferreira, afirmava que a crise financeira mundial não teria efeitos negativos no seu prognóstico. Ele confirmou que há um movimento no Congresso Nacional para que o governo reduza seus gastos em 2009 para enfrentar a crise.
A esperança do ministro é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva priorize a Cultura. “Acho que seremos poucos afetados porque nossa área se insere no campo social. Tenho expectativa de que o corte não seja significativo. Se não reduzir, já será positivo”, avaliou. Para superar os efeitos da crise, Juca Ferreira propõe pedir socorro às empresas públicas e privadas do País.
Segundo o analista financeiro Roberto Ferreira, existe uma diferença entre o valor nominal e o valor real do orçamento destinado à Cultura. O primeiro permanece o mesmo, mas o segundo (o poder de compra) teve um decréscimo por conta da inflação do período (cerca de 5%). Com isso, o orçamento valerá R$ 761 milhões.
Por outro lado, a maior empresa brasileira, a Petrobras anunciou um novo investimento de R$ 40 milhões para seu programa Petrobras Cultural até o final do ano, apesar da volatilidade das bolsas. O valor liberado é de R$ 40 milhões, que se soma aos R$ 38 milhões já então liberados para esse ano. De acordo com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, esses projetos têm grandes impactos sociais no País e não podem ser afetados pela crise e, portanto, devem estar imunes aos efeitos, que podem surgir nos próximos meses. (M.M.)
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 09.11.2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Oi lança edital para programa de patrocínio cultural
Publicado em 19.10.2008
Do JC OnLine
A Oi lançou o edital para seleção dos projetos culturais que serão patrocinados pela empresa em 2009. As propostas serão avaliadas por comissões especializadas em cada uma das áreas culturais e o resultado será divulgado até março.
A inscrição deve ser feita até o dia 30 de novembro através do site www.oifuturo.org.br ou www.oi.com.br. Artistas e produtores culturais podem concorrer com mais de um projeto. Segundo o edital, os projetos terão a confirmação do patrocínio condicionada à apresentação dos certificados válidos nas Leis de Incentivo à Cultura.
Em 2008, foram selecionadas peças de teatro, mostras de cinema, filmes, shows, festivais de dança e espetáculos de cultura popular.
Do JC OnLine
A Oi lançou o edital para seleção dos projetos culturais que serão patrocinados pela empresa em 2009. As propostas serão avaliadas por comissões especializadas em cada uma das áreas culturais e o resultado será divulgado até março.
A inscrição deve ser feita até o dia 30 de novembro através do site www.oifuturo.org.br ou www.oi.com.br. Artistas e produtores culturais podem concorrer com mais de um projeto. Segundo o edital, os projetos terão a confirmação do patrocínio condicionada à apresentação dos certificados válidos nas Leis de Incentivo à Cultura.
Em 2008, foram selecionadas peças de teatro, mostras de cinema, filmes, shows, festivais de dança e espetáculos de cultura popular.
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