quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Calendário FUNDARPE 2009
Fundarpe divulga novidades
Em 2009, não faltará espaço para a celebração da cultura pernambucana. Muitas atividades e ações culturais estão programadas para todo o Estado. Ontem à tarde, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) divulgou o calendário cultural pernambucano para o ano que está chegando. E sobram novidades. A principal delas é a contemplação das 12 Regiões de Desenvolvimento (RDs) estadual, por meio da escolha de cidades-pólo, as quais terão uma agenda intensa e constante de eventos. Ao todo serão 89 dias de atividades, um investimento estadual na casa de R$ 12 milhões, além da geração de 15 mil postos de empregos diretos, segundo a Fundarpe.
O calendário cultural foi dividido em dois setores: os festivais e os ciclos festivos. O primeiro corresponde ao Festival Pernambuco Nação Cultural, que não mais se restringirá aos meses de junho, julho e agosto. Acontecerá o ano inteiro, recheando os municípios-pólo de espetáculos cênicos, apresentações de grupos musicais, recitais de poesia, mostra de cinema, exposições de artes plásticas e oficinas.
A programação do festival começa em março pela cidade de Goiana - com a celebração da primeira assembléia indígena do Brasil -, passa pelo já consolidado Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), em julho, em Garanhuns, e finaliza com a comemoração do aniversário de Luiz Gonzaga no mês de dezembro. No evento também está agendada as apresentações da aula-espetáculo “O Castelo, a Cadência e a Cantoria” ministrado por Ariano Suassuna e o repentista Oliveira das Panelas.
Os quatro ciclos festivos do Estado - carnavalesco, das paixões, junino e natalino - também terão atenção especial e, da mesma forma, estarão presentes nas 12 RDs. Uma das novidades para 2009 é instalação de um pólo de animação no Memorial Arcoverde, que se localiza no limite das cidades do Recife e Olinda. Durante o carnaval, além do Recife/Olinda, outras nove cidades serão sede desse ciclo festivo. No período junino, 12 municípios estarão integrados ao ciclo assim como a capital.
Diante da grande tradição do Estado, o ciclo das paixões também receberá uma atenção especial da Fundarpe, que irá garantir apoio aos espetáculos cênicos nas quatro macrorregiões do Estado: RMR, Zona da Mata, Agreste e Sertão. No Natal, os festejos acontecerão não apenas no Recife e Olinda, serão estendidos às cidades de Aliança, Caruaru e Triunfo. “O calendário cultural de Pernambuco 2009 vem se somar aos eventos já consolidados da produção independente, como mostras e festivais, além de festividades culturais e religiosas que acontecem do cais ao sertão”, destacou a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo.
Matéria publicada na Folha de Pernambuco do dia 18.12.2008
Secretaria de Cultura do Recife
Renato L vai tirar o boné pela cultura
Publicado em 17.12.2008
Jornalista, que assume lugar de João Roberto Peixe, diz que não vai fazer gestão paternalista
Fabiana Moraes e José Teles
fmoraes@jc.com.br e teles@jc.com.br
Sim, o futuro secretário de cultura do Recife, o jornalista Renato Lins – ou simplesmente Renato L –, vai aposentar o boné. O acessório, que acompanha o rapaz há décadas, pode não casar muito bem com o obrigatório terno que o futuro gestor público irá envergar. “Vou precisar de ajuda do terapeuta”, brinca ele sobre a difícil separação. O convite para participar do governo João da Costa aconteceu no sábado (13): Renato estava em casa, em Candeias, quando recebeu o telefonema de João Roberto Peixe, atual secretário de cultura. “Para mim foi uma surpresa. Não sou filiado a nenhum partido, apesar de votar no PT desde 1989. Peixe pediu que eu desse continuidade ao trabalho que ele tem feito na secretaria”, diz. A tal continuidade, no entanto, não significa, segundo o futuro secretário, um engessamento do modelo atual de gestão. Há, reconhece ele, pontos que precisam ser analisados. “Vou aperfeiçoar o Multicultural onde ele deve ser melhorado, ampliar o acesso da população do Recife aos bens culturais. Vou mudar o que julgar necessário”, diz ele, que elogia o comando do designer João Roberto Peixe: “Me sentia representado com ele na prefeitura”.
Renato, 43 anos, admite que sua pouca proximidade em relação à máquina pública – sua experiência maior nesse setor é sua participação, durante cinco anos, no Conselho Municipal de Cultura – assusta, mas não intimida. “Coloquei isso quando fui convidado, falei que não tinha essa experiência. Mas quem não enfrenta desafio não faz nada. Vou driblar isso me cercando de uma equipe eficiente, de pessoas que sejam hábeis em suas áreas”. Um dos mentores do movimento mangue (onde era “ministro da informação”), o futuro secretário também já realizou o projeto Acorda Povo, onde levou oficinas de moda, música, reciclagem e grafite para as periferias da cidade, que também conferiam shows das bandas Nação Zumbi e Devotos.
Enquanto a própria classe artística ainda está bastante surpresa com a indicação (veja arte ao lado), Renato vai tentando deixar a ficha cair. “Foi tudo muito rápido. Acho que a indicação deve-se à minha ligação com o manguebeat, pois pensaram também em Fred Zeroquatro, que não aceitou por causa da banda”. Seu único contato com João da Costa, que assume a prefeitura do Recife no próximo dia 1º de janeiro, aconteceu durante a divulgação do novo secretariado, na segunda (15). O jornalista se reuniu com Peixe, mas mal teve contato com o organograma da pasta. Os nomes para assumir equipamentos como museus, teatros e fundações municipais também ainda não foram pensados, apesar de Renato adiantar que o ator e coordenador do Carnaval da cidade, André Brasileiro, permanece na sua função. “Não faz sentido mudar agora um processo que já foi iniciado e que vem dando certo. Vamos avaliar qualquer mudança só após o fim do próximo Carnaval”. Quanto ao comando de locais como o Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (Mamam), atualmente sem um gestor após saída de Cristiana Tejo, ele é cuidadoso: “É preciso avaliar a gestão e os problemas de cada um deles para ver o que que ser mantido ou substituído”.
SEM ELITISMO
Apesar da maior proximidade com a esfera da música, Renato Lins afirma que áreas como artes visuais, cênicas, literatura e audiovisual terão visibilidade em sua gestão. “Não vou ser secretário apenas de uma área. Estou tranqüilo e as pessoas também podem ficar. Peixe é designer e não contemplou apenas esta área”, comenta.
Apesar de, claro, não ter ainda nenhum projeto definido para o futuro, o jornalista afirma que não vai adotar um postura paternalista ou elitista em relação a escolha dos produtos culturais oferecidos na cidade (principalmente na questão dos shows, ponto forte do Carnaval e do São João). O fenômeno do brega, tão forte na cidade, é um dos assuntos que ele quer incorporar ao Programa Multicultural. Falando sobre shows e público popular, ele é enfático sobre a polêmica levantada com a apresentação de Sandy e Júnior na cidade em 2004 (o show, definido pelo prefeito João Paulo como “um presente” para a cidade, custou R$ 480 mil e foi bastante criticado). “Achei um equívoco. A intenção foi boa, mas cabe ao poder público levar para um local como o Marco Zero artistas que não circulam tanto na grande mídia. Eu também acharia equivocado levar a Nação Zumbi se a banda vendesse milhões.”
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 17.12.2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
PONTOS DE CULTURA
Publicado em 02.12.2008
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e o Ministério da Cultura (MinC) anunciaram ontem os 81 grupos e entidades sediados no Estado aprovados no edital dos Pontos de Cultura. São 40 entidades do interior e 41 da Região Metropolitana do Recife, que terão direto a um repasse financeiro de até R$ 180 mil reais, em três parcelas anuais, para a manutenção das atividades, totalizando um investimento de R$ 21,6 milhões – dois terços oriundos da União e um terço do Estado.
O objetivo do 1º Concurso de Seleção para a Implementação de Pontos de Cultura do Estado é descentralizar as ações do programa Mais Cultura, do Governo Federal, com a criação de 120 Pontos de Cultura em todas as Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco. O concurso teve 150 inscritos. Como 39 das vagas previstas não foram preenchidas porque os candidatos não cumpriram com todos os requisitos, um novo edital será realizado em 2009, do qual poderam concorrer entidades que não foram contempladas desta vez.
A presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, comemorou o fato de quase 50% dos aprovados serem do interior do Estado e atribui esse resultado aos programas de capacitação realizado pelo órgão. “É de extrema importância que a política pública de cultura chegue ao interior. Em contrapartida, os contemplados ministrarão aulas-espetáculos em programação a ser definida pela Fundarpe, integrando uma Rede de Pontos de Cultura a ser gerido pela entidade pernambucana”, disse Luciana.
Para analisar todas as propostas inscritas no concurso, a Fundarpe designou uma comissão formada por 12 membros, entre representantes do Poder Público e da sociedade civil.
A segunda região a ter mais entidades aprovadas foi o Agreste, com 15 novos pontos de cultura (7 no Agreste Central, 6 no Agreste Meridional e 2 no Agreste Setentrional). No Sertão, 14 entidades passarão a receber o incentivo e na Zona da Mata, haverá 11 novos pontos.
Dos grupos selecionados, 55 trabalham com temáticas sócio-culturais, 11 grupos são ligados a matrizes africanas, 6 entidades trabalham junto a comunidades quilombolas e 4 com indígenas. Outros 5 têm temática artesanal.
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 02.12.2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Vídeo
Festival de Vídeo de Pernambuco, que começa hoje no Teatro do Parque, procura se adaptar às novas tecnologias
Júlio Cavani // Diario
juliocavani.pe@diariosassociados.com.br
Em sua décima edição, o Festival de Vídeo de Pernambuco encontra-se em um momento de redefinição. Quando a mostra começou, em 1998, os trabalhos ainda eram entregues em fitas VHS. Dez anos depois, as tecnologias digitais promovem uma revolução que faz a produção local se multiplicar em vários aspectos. O evento continua o mesmo, sem grandes mudanças no formato geral, mas o contexto do setor audiovisual mudou completamente.
Voltage . Foto: William Paiva/DivulgaçãoA popularização das câmeras de vídeo digital fez muita gente começar a filmar, pois tudo ficou mais fácil, principalmente a edição, que hoje em dia pode ser feita em qualquer computador ou laptop, sem a necessidade de ilhas fechadas cobertas de equipamentos. As câmeras de filmagem também invadiram o cotidiano.Faculdades e cursos de cinema, que há dez anos praticamente não existiam em Pernambuco, também têm se multiplicado. Os selos dessas instituições aparecem em vários dos curtas selecionados este ano. Isso produz uma saframais jovem, cheia de nomes desconhecidos que podem surpreender. A democratização também é visível na programação deste ano. Um dos concorrentes na categoria de documentários foi produzido pelos índios da tribo Xucuru, que, a exemplo de outros povos indígenas, transformaram o vídeo em instrumento de luta política. A edição 2008 traz, ainda, um incremento na participação de videastas do interior, originários de cidades como Petrolina, Caruaru, Garanhuns, Arcoverde, Gravatá e Limoeiro.No caso específico da categoria de videoclipes, a mudança se deu principalmente nas formas de veiculação. Os vídeos musicais, agora, são produzidos para serem exibidos principalmente na internet, pois as redes de televisão estão cada vez mais distantes, enquanto a rede virtual se mostra um caminho aberto, prático, acessível e gratuito. Neste ano, inclusive, todos os curtas do Festival de Vídeo de Pernambuco podem ser assistidos no endereço www.nacaocultural.pe.gov.br.A não ser nos casos de exercício estético, o padrão técnico deimagem também foi elevado. Câmeras com definição visual comparável a dos filmes de película já são uma realidade gradativamente acessível. Isso amplia o alcance dos curtas, que podem chegar aos maiores festivais do mundo (quase todos já abertos às projeções digitais) sem a necessidade de maiores estruturas financeiras.O Festival de Vídeo de Pernambuco atualmente tem cinco categorias: documentário, ficção, experimental, animação e videoclipe. O vencedor de cada uma recebe um prêmio de R$ 3,5 mil. O segundo lugar ganha R$ 2,5 mil e o terceiro tem direito a R$ 1,5 mil. Os 65 trabalhos da programação foram escolhidos entre 140 inscritos (o maior número de todas as edições), avaliados por uma comissão formada por críticos de cinema, representantes de entidades e profissionais de audiovisual. As sessões ocorrem hoje, amanhã e quarta, no Teatro do Parque, com início às 17h.
Matéria publicada no Diario de Pernambuco do dia 01.12.2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Cultura em tempos de crise
Publicado em 09.11.2008
A pergunta que ronda o setor é se a crise na economia norte-americana privará o recifense de grandes atrações
Mirella Martins
Especial para o JC
A pergunta é inevitável: se diversos setores, em todo o mundo, se mostram inquietos em relação aos reflexos que a crise na economia norte-americana trará, por que com a cultura e o entretenimento seria diferente? Especulações e dúvidas começam a circular entre artistas e produtores. Eles vigiam o horizonte para rastrear, ao longe, os principais indicadores de instabilidade. Alguns já se fazem notar. As casas de leilão Sotherby´s e Christie´s amargaram lucros menores, neste final de ano, considerando que, desde 2005, vinham batendo recordes na arrecadação. Na última participação, a Christie´s só conseguiu vender 21 dos 47 lotes postos à venda, arrecadando apenas US$ 55 milhões em vez dos esperados US$ 132 milhões. Segundo quem entende do riscado, o momento é de cautela, mas não de desespero. No Recife, por exemplo, inúmeras atrações internacionais – pagas em dólar e com alto custo de realização – estão sendo mantidas e a expectativa é de que shows como o de Charles Aznavour, que encheu os olhos dos recifenses, continuem acontecendo.
CRISE E CULTURA
De olho no que promete o futuro
Publicado em 09.11.2008
Produtores garantem que impacto da crise ainda não foi sentido, mas acreditam que ele virá a médio e longo prazo e se preparam para isso
No Brasil, os diversos setores da economia ainda não perceberam movimentação negativa com a crise que se abateu sobre os EUA e espalha seus reflexos mundo afora. Os produtores garantem, no entanto, que o impacto virá a médio e longo prazo, principalmente, pela alta na cotação do dólar.
Na área de cinema, por exemplo, o aluguel de equipamentos fica mais caro. Segundo João Júnior, da Rec Produtora, a crise chegará, mas não ainda este ano. “Os produtores se utilizam de fundos internacionais para desenvolvimento de projetos. Essas empresas possuem verbas anuais programadas. Para 2009, os investidores devem ficar mais cautelosos com o valor a repassar para essas instituições”, explica. Para driblar esta realidade, João Jr. aposta na criatividade para conquistar outras formas de financiamento, seja diminuindo a equipe ou trabalhando com um orçamento mais baixo.
A programação de shows e exposições também sofre porque os contratos são pagos em dólar, de acordo com o preço da moeda na data da apresentação. Passagens também são pagas em moeda estrangeira. Depois de vinda de bons shows no Brasil este ano – Aerosmith, U2 e Madonna, para citar apenas três – o País pode voltar ao hiato mercadológico em relação ao cenário internacional, se o preço da moeda americana continuar a subir.
A Mondo, que trouxe Ben Harper, Dave Mathews Band e está trazendo R.E.M. esta semana, afirma que, até agora, nada foi cancelado. Segundo seu produtor, William Crunfli, cautela é o sentimento do momento. “Existem três grandes shows “gringos” para janeiro e fevereiro que não foram fechados por conta da volatilidade do mercado. Estamos no aguardo”, avalia.
No Recife, o sentimento é o mesmo. Para o gerente de marketing da Chevrolet Hall, Manolo, a casa possui um calendário anual de 24 shows por ano, sendo quatro internacionais. “Este ano, já trouxemos Scorpions, Charles Aznavour e já começamos a vender BJ Thomas para o dia 5”, adianta. O executivo teme que o preço alto do dólar aumente os valores dos cachês, inviabilizando futuras contratações. “Temos mais dois nomes para trazer no começo de 2009, mas resolvemos esperar mais um pouco para ver se o cenário melhorar”, avalia.
O produtor João Marinho, da Black Out Discos, responsável por trazer as principais bandas de metal para apresentações no Recife, não sente – ainda – qualquer prejuízo por conta do aumento do câmbio. “Tinha pago o cachê do Symphony X desde abril com dólar a R$ 1,60”, comemora. Para ele, a alta da moeda não poderá ultrapassar o teto de R$ 2,10 para não prejudicar futuras negociações. “Tenho agendada uma outra banda para janeiro, mas já paguei a metade”, antecipa o empresário, que já trouxe nomes como Angra, Kreator, Destruction e Possessed.
Gustavo Agra, da Art Rec, é mais confiante. Acredita que o mercado se adapta às diferentes realidades. Em Cuba, onde está fechando novos projetos, o empresário começa a concluir a agenda de shows para o próximo ano. “Temos usado o argumento da crise para baixar os cachês, mas as companhias de dança não são sensíveis a esta realidade. O jeito foi cancelar algumas coisas que estavam pré-agendadas como o Ballet Moderno da Ucrânia e a Ópera Nacional da Rússia”, explica. Ele acrescenta que ainda estuda a possibilidade de produzir localmente o Momix, o Phillobolus e o Béjart Ballet, mas precisa de patrocínio, tanto público quanto privado. Mesmo com discurso pouco animador, o produtor garantiu Ballet Nacional de Cuba, Ballet Imperial da Russia, o Ballet de Marseille e a Orquestra Nacional da França.
CRISE E CULTURA
Mundo busca alternativas criativas
Publicado em 09.11.2008
A nada modesta quantia de 39 milhões de dólares foi quanto o banco Lehman Brothers, que entrou em colapso há dois meses, doou para o MoMa, um dos mais respeitados museus em Nova Iorque. A ausência deste e de outros mecenas – que foram arrastados pela quebradeira bancária nos EUA – gerou especulações: qual, e com que intensidade, será o abalo sentido no mundo das artes? Estaria este tipo de filantropia com os dias contados?
Na Alemanha, empresários aproveitam este momento para melhorar a imagem desgastada de suas empresas, investindo em arte como forma de atingir este objetivo. Segundo o economista Michael Hutter, do Centro de Pesquisa de Ciência Social em Berlim, este paradigma funciona melhor em companhias com pouca visibilidade de mídia, tais como seguradoras (normalmente consideradas as vilãs em caso de situações problemáticas). O Deutsche Bank tinha programado exposição de esculturas e pinturas da época renascentista para o final do ano, mas resolveu antecipar o lançamento, aproveitando o caos no mercado financeiro. Sobre o futuro, ninguém fala, sequer especulam, preferem evitar qualquer tipo de garantia a respeito da manutenção na política de favorecimento às artes. Analistas acreditam que o setor cultural sofrerá com esta recessão a médio e longo prazo, mas o impacto em relação às artes visuais será menor. Na Alemanha, a maior parte dos investimentos culturais é estatal.
Em Moscou, o tom da conversa é “o que fazer para diminuir perdas?”. Entretanto, não se fala em recessão. Semana passada, o maior produtor de séries de TV russa anunciou que todos os projetos ficarão em stand by. O motivo é a incerteza do cenário, acrescida ao medo de uma possível falta de anunciantes. Já o pessoal das artes cênicas aposta na criatividade para reverter a situação. A receita do sucesso é o marketing cultural. Peças da Broadway e do circuito Hollywood criaram um slogan “pague o que pode”. Funciona assim: você paga o que acha que vale/ou tem para pagar (o valor em média custa 50 doláres, mas o mínimo é de 1 dólar). No entanto, esta ação só é válida para as sessões matinês. O resultado está sendo positivo: casa cheia e ingressos na média de 20 dólares.
Com o mote “Relaxe em época estressante”, a idéia dos produtores é criar para o público uma alternativa para um colapso nervoso, em outras palavras, uma válvula de escape. Os musicais são os mais procurados. Idéia semelhante aconteceu em Londres, durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade sendo bombardeada e os teatros cheios. Segundo especialistas americanos, há pesquisas que comprovam que, durante a crise, as pessoas tendem a gastar mais em entretenimento.
Ironicamente, poucos filmes foram lançados nesta temporada de oscilação cambial. Produtores começam a procurar outras fontes de financiamento para os seus projetos, em substituição ao fundos de investimento e aos bancos. Enquanto isso, em Hollywood, a palavra crise não é citada. Em meados de 2009, já está previsto o lançamento de mais de 40 filmes. E mais: os estúdios já asseguraram milhões de dólares para Avatar, de James Cameron, e Homem de Ferro 2, de novo com Robert Downey Jr. como protagonista. Ambos projetos serão para entre 2010 e 2011.
Outras produções de grande expectativa nesse período são Edwin A. Salt, com Angelina Jolie, Alice in Wonderland, de Tim Burton, A-Team, RoboCop, de Darren Aronofsky, Thor, de Kenneth Branagh, a sequência de Sex and the city e Nottingham, a nova colaboração entre Ridley Scott e Russell Crowe.
CRISE E CULTURA
Cultura mantém estreita relação com a economia
Publicado em 09.11.2008
Segundo o escritor Affonso Romano Sant’Anna, a aproximação entre economia e arte é exemplar e didática. “Não se pode falar de arte sem falar de mercado e economia, e não se deve falar de economia e mercado sem falar de arte conceitual”, analisa. Para o escritor, a frase “a arte imita a vida, a vida imita a arte” pode ser aplicada agora à economia.
“Em 1919, Marcel Duchamp fabricou um cheque para pagar uma dívida, depois criou também por sua conta “ações” do Cassino Monte Carlo. Exatamente como esses bancos americanos estão fazendo agora dando um prejuízo mundial incalculável nas bolsas de valores, posto que só nos Estados Unidos a falcatrua beira um trilhão de dólares”, argumenta Sant’Anna.
Se você quer entender ou passar ileso à crise, vale – e muito – buscar uma ajuda nos livros. Passe numa livraria e procure algo para lhe proporcionar maior segurança. Na Livraria Saraiva, do Shopping Recife, o aumento de vendas está interligada a área de auto-ajuda. “Antes do estouro da crise, estávamos com uma procura, além do previsto, em relação a títulos sobre a Bolsa de Valores, agora isso mudou, vende-se mais obras de auto-ajuda”, explica a gerente Tânia Cavalcante. Investimento inteligente é um dos mais procurados na loja. Prova disso é sua inclusão na lista dos mais vendidos da Revista Veja.
Segundo a Amazon, maior livraria da Internet, houve um aumento em relação aos títulos financeiros. A bola de neve, primeira biografia autorizada do bilionário Warren Buffett (cujo fundo Berkshire Hathaway já investiu 8 bilhões no Goldman Sachs e na General Electric) tornou-se um best-seller em Nova Iorque.
GOVERNO
O Ministério da Cultura anunciou que o orçamento 2009 será os mesmos R$ 800 milhões previstos para 2008. Até um mês atrás, durante sua visita ao Recife, o titular da pasta, Juca Ferreira, afirmava que a crise financeira mundial não teria efeitos negativos no seu prognóstico. Ele confirmou que há um movimento no Congresso Nacional para que o governo reduza seus gastos em 2009 para enfrentar a crise.
A esperança do ministro é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva priorize a Cultura. “Acho que seremos poucos afetados porque nossa área se insere no campo social. Tenho expectativa de que o corte não seja significativo. Se não reduzir, já será positivo”, avaliou. Para superar os efeitos da crise, Juca Ferreira propõe pedir socorro às empresas públicas e privadas do País.
Segundo o analista financeiro Roberto Ferreira, existe uma diferença entre o valor nominal e o valor real do orçamento destinado à Cultura. O primeiro permanece o mesmo, mas o segundo (o poder de compra) teve um decréscimo por conta da inflação do período (cerca de 5%). Com isso, o orçamento valerá R$ 761 milhões.
Por outro lado, a maior empresa brasileira, a Petrobras anunciou um novo investimento de R$ 40 milhões para seu programa Petrobras Cultural até o final do ano, apesar da volatilidade das bolsas. O valor liberado é de R$ 40 milhões, que se soma aos R$ 38 milhões já então liberados para esse ano. De acordo com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, esses projetos têm grandes impactos sociais no País e não podem ser afetados pela crise e, portanto, devem estar imunes aos efeitos, que podem surgir nos próximos meses. (M.M.)
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 09.11.2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Oi lança edital para programa de patrocínio cultural
Do JC OnLine
A Oi lançou o edital para seleção dos projetos culturais que serão patrocinados pela empresa em 2009. As propostas serão avaliadas por comissões especializadas em cada uma das áreas culturais e o resultado será divulgado até março.
A inscrição deve ser feita até o dia 30 de novembro através do site www.oifuturo.org.br ou www.oi.com.br. Artistas e produtores culturais podem concorrer com mais de um projeto. Segundo o edital, os projetos terão a confirmação do patrocínio condicionada à apresentação dos certificados válidos nas Leis de Incentivo à Cultura.
Em 2008, foram selecionadas peças de teatro, mostras de cinema, filmes, shows, festivais de dança e espetáculos de cultura popular.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
BALANÇO
Publicado em 12.10.2008
Mirella Martins
Especial para o JC
Até agora já se passaram 2.867 dias da gestão de João Paulo à frente da Prefeitura da Cidade do Recife. O secretário de Cultura, João Roberto Peixe, evita falar em balanço, mas a reportagem do Jornal do Commercio resolveu saber da classe artística uma avaliação deste período e o que espera do novo prefeito João da Costa. A maioria das críticas quanto os elogios se assemelham: necessidade de reciclagens, oficinas, intercâmbio, mais verbas e reformulação no modelo do SIC. A unanimidade é referente ao diálogo conquistado, além da aproximação entre cultura e periferia. A multiculturalidade também foi bem recebida por todas as áreas.MÚSICA
O vocalista da Devotos, Cannibal, define os oito anos da gestão João Paulo na área de música como a valorização do subúrbio. A idéia de montar palcos em bairros menos favorecidos e levar artistas de renome para a periferia fez com que descentralizassem a dicotomia Boa Viagem-Marco Zero. Mas, nem todo mundo está satisfeito: “O Estado é reconhecido mundialmente pela música, mas falta pensar mais nos músicos do que os produtores”, diz Cannibal.
“A descentralização do Carnaval foi a melhor coisa desta administração”, analisa Cannibal. O cantor Silvério Pessoa pontua também “o fortalecimento e a consolidação de uma maneira de produzir cultura como uma cadeia produtiva. Expressiva também a consolidação das festas populares e tradicionais”. O São João, por exemplo, também teve o destaque com a colocação de palcos em bairros populares, mas não agradou a todos. “Senti um pouco de preconceito. Existem vários pólos e não fui chamado a tocar em nenhum, em contra partida, minha agenda esteve lotada com shows em dezenas de outras cidades do Nordeste”, diz o forrozeiro Geraldinho Lins. Sobre este “gelo”, ele argumenta que escutou como desculpa que “já tinha muita visibilidade”.
O que faltou foi a falta de música local nas rádios. “Já se tornou chato esse discurso, mas devia haver incentivo ou lei que obrigassem as rádios locais a tocar canções regionais. Penso que a Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) poderia comprar horários em determinadas emissoras e chamar DJs daqui para trabalhar”, argumenta Cannibal. Sobre a Frei Caneca, ele é categórico: “É igual a Papai Noel, a gente sabe que existe, mas não sai do papel”. Outra reclamação é a falta de festivais totalmente voltado à produção local. “Seria algo nas comunidades de forma abrangente e social com oficinas e palestras”, defende.
Sobre o Sistema de Incentivo a Cultura (SIC) do município, a classe dos músicos reclama da falta de representividade do modelo e do formato. Segundo Cannibal,o problema é a falta de conhecimento do artista com a classe empresarial. Silvério acrescenta: “Trabalhos que estão se afirmando nacionalmente são reprovados por conta de olhares políticos e obsoletos. Soa contraditório numa gestão que preza pela multiculturalidade”.
TEATRO
Criado na gestão anterior, o Festival de Teatro obteve continuidade, apesar dos conflitos e tensões iniciais com a escolha por um único curador de fora do Estado. Sobre o evento, divergências perante o modelo. Os que não concordam discutem que a centralização na escolha por uma só pessoa, em quatro anos, vai de encontro com a política de diversidade e multiculturalismo, aplicada pela gestão João Paulo.
Sobre os teatros municipais, oito anos de reformas: Santa Isabel e Barreto Jr. Depois de reabertos, é preciso transparência no processo de ocupação de pautas desses espaços. O Apolo-Hermilo e o Santa Isabel, segundo a classe, mantêm na escuridão seus critérios de ocupação de pauta. Outro fato que assusta é a possibilidade de funcionários da PCR, principalmente da secretaria de Cultura, tomar parte no processo de seleção pública de ocupação das pautas.
O produtor Rodrigo Dourado acredita que o complexo Apolo-Hermilo poderia ser transformado em Centro de Formação e Pesquisa de fato, além de uma criação de uma escola de teatro. “No início da primeira gestão, ventilou-se esta possibilidade, mas foi abandonada. As oficinas não dão conta da demanda de formação de atores, diretores e técnicos em teatro. É preciso criar um curso profissionalizante, permanente, gratuito, com corpo docente qualificado para atender à demanda”.
O SIC é também o calo do pessoal de cênicas. Segundo eles, o prazo de entrega dos projetos é exíguo, além da necessidade de ampliação na verba destinadas aos grupos. Atualmente, são R$ 100 mil divididos em cinco companhias. “Este valor não cresce há anos. Deixou de ser edital para se tornar auxílio”, argumenta a produtora Paula de Renor. “Prêmios também são bem-vindos, sobretudo, para atender aos grupos de pesquisa continuada, permitindo a consolidação de estéticas e poéticas”, acrescenta Dourado.
A produtora espera que a política de João da Costa estimule a manutenção dos espaços públicos recém-reformados e acrescenta que os privados poderiam também receber uma verba para se manter. “Existe muitas companhias sem casas. A quantidade de grupos é desproporcional em relação aos espaços”, pontua Paula.
O lado bom foi o convênio formado com a PCR em relação a passagens aéreas. “Durante o Janeiro de Grandes Espetáculos, curadores de outros Estados chamam alguns grupos para participar de eventos em outros locais. Agora podemos ir porque João Paulo fez uma parceria para bancar esses convites”, diz a produtora.
LITERATURA
Quantas bibliotecas foram abertas nesta gestão? Quem faz a curadoria dos livros publicados? Fontes, que preferiram não se identificar, indagaram essas informações. Muita gente não concorda com o tratamento dispensado às letras nesta gestão. “Gastaram mais com a Mangueira do que a leitura, que é fundamental para a formação da cidadania”, diz um escritor, que pediu anonimato. A falta de publicação (de bons títulos) também foi levado em consideração.
Alexandre Melo, produtor do Nois Pós, diz que o investimento é tímido se comparar com a música. “Historicamente, é normal que isso aconteça, mas podemos tentar mudar este quadro”, garante. Ele credita esta inversão de pensamento com a possibilidade de ver a leitura como entretenimento coletivo. “Literatura pode sim ser massificadora”. Para conseguir atingir este objetivo, é necessário facilitar publicações de obras, realizar oficinas literárias e, sobretudo, estimular à leitura, através de eventos como o A Letra e a Voz, que aproximem público-livros-mídia. “O festival tem evoluído, mas é preciso diversificar nas temáticas”, critica Alexandre. Trazer gente de fora para estimular o contato com escritores e gente de outras áreas é primordial para a reciclagem dos escritores. “Deve-se sempre ter esta preocupação como forma de investimento”.
Entretanto, Raimundo Carrero é um entusiasta desta gestão. Segundo ele, a prefeitura fez o seu papel a criar festivais, promoveu debates, utilizou os espaços das bibliotecas para aproximar novos leitores, principalmente os mais jovens e retomou a publicação de autores, sobretudo, os marginais, além de ter. realizado concursos em nível nacional. “Não podemos deixar de esquecer a publicação na França de uma obra traduzida com poetas pernambucanos como Pedro Américo de Farias, Cida Pedrosa e Marcus Accioly”, exemplifica.
ARTES
Os artistas e produtores de artes plásticas é o que está mais satisfeito com esses quase oito anos de gestão. Um dos pontos mais relevantes é a criação de vários eventos artísticos ao longo do ano. O artista plástico Aslan Cabral (Alvinho) foi um dos beneficiados com este calendário produtivo. “Posso dizer que sou da geração Spa. Fui primeiro como público e agora estou como profissional”. Reciclagem e manutenção são primordiais para desenvolver uma crescente nesta área.
“Precisamos de gente especializada para trabalhar e, se não estudarmos, Recife viverá um momento de carência artística”. Aslan acrescenta que a maioria dos artistas é autodidata. “O Centro de Formação de Artes Visuais foi um avanço, mas falta mais”.
Segundo a pesquisadora Clarissa Diniz, o mérito do PT no governo é a implantação dos artistas como gestores dos equipamentos culturais. “Antes essa função era ocupada por políticos ou gente vinculada a determinado partido”, explica. Aslan Cabral destaca ainda a promoção dos editais, que além de contemplar a exibição também atua na curadoria.
Para Clarissa, deve-se manter esta política, tendo cuidado com as indicações dos nomes, principalmente, no Mamam. “Acredito, inclusive, que esse nome poderia ser de fora para contribuir numa espécie de intercâmbio com esta área”. Mas, para isso, o salário deve estar num patamar próximo a realidade. “Ganha-se muito pouco. As pessoas asssumem por amor à causa e abdica de muita coisa em prol da arte”.
Nem só os gestores sofrem com o problema financeiro, os artistas também reclamam de falta de apoio, principalmente, para participar de eventos fora da cidade. “Somos chamados, mas não participamos porque não temos condições de bancar, enquanto os maracatus vivem viajando... Sei o peso da tradição, mas acho que a arte contemporânea precisa ser vista como viável”, argumenta a pesquisadora. Como forma de sugestão, a classe propõe a criação de um ateliê público como em Paris. Durante um ano, cinco a seis artistas se unissem para trabalhar em gravuras, performances e vídeos. “Recife possui muitos espaços para teatro e dança, mas pouco para as artes. Esses locais poderiam ajudar quem não tem condição de bancar um espaço próprio, além de servir como ponto turístico”, explica Alvinho.
CINEMA
Cinema requer dinheiro. A falta deste fator agrava – e muito – a vida dos cineastas. Por trabalhar com uma arte cara, eles recorrem a iniciativa pública para “aju$tar” na concepção da idéia. “Temos muita gente boa na cidade, mas muita gente fica de fora”, argumenta Camilo Cavalcanti, que confessa: “A verba do SIC (cerca de R$ 40 mil) é realmente baixa, além de ter que pagar um valor referente ao atravessador”. Nesses dois anos, o artista foi contemplado duas vezes neste sistema.
Quem também milita nesta luta por aumento das verbas é Daniel Bandeira. Segundo ele, “João da Costa deve se esforçar para reverter esta situação, incluindo, um contato mais próximo com a iniciativa privada, o que facilitaria a captação de recursos para projetos aprovados”.
Camilo cita a capacitação e oficinas, sobretudo nas comunidades carentes, como outro ponto positivo, mas reforça a necessidade de criação de cursos profissionalizantes na área. “ Acho interessante também o surgimento de cinematecas populares de forma itinerante como forma de criar um olhar crítico e fomentar o debate”.
BALANÇO
Plano municipal é a maior meta
Publicado em 12.10.2008
Sentado na sua cadeira no alto do 15° andar no prédio da Prefeitura do Recife, João Roberto Peixe, evita falar em balanço. “Só posso fazer isso quando acabar minha gestão e ainda falta tempo”. Perguntado sobre qual é a obra mais importante deste período é enfático: “a conclusão do Plano Municipal de Cultura”.
Há oito anos, o secretário está concebendo este projeto. Será um instrumento legal e de controle da sociedade para o cumprimento de metas de desenvolvimento cultural de caráter plurianual. A institucionalização implicará em amplo processo de consulta à sociedade, por meio dos conselhos de políticas culturais, dos colegiados setoriais da cultura (nas áreas de produção artística e de preservação) e das conferências de cultura dos entes federados: União, Estados e Municípios.
As festas populares tiveram um carinho a mais nesta gestão. “Tanto Carnaval quanto o São João foram beneficiados pela descentralização”. Destaca também que a gestão deu ênfase a todos os segmentos e evitou centrar recursos em determinados setores. “Também continuamos o que era bom como os festivais de Dança e de Teatro”, salienta que, entretanto, teve que mudar o perfil visando uma unidade e mais qualidade. Ressalta a criação do SPA, do A Letra e a Voz, Mostra de Circo e o concurso de música carnavalesca com recorde de inscritos. Resultado: mostra com orgulho o calendário cultural da cidade, cheio de atrações . “Isso é o resultado da profissionaliação do segmento”.
Sobre a reclamação da verba destinada ao setor, rebate que Recife é a segunda capital com o maior orçamento de Cultura, proporcionalmente, só perdendo para Boa Vista (RR). “Ao todo, são quase 4%”. Diz que vai tentar reverter o problema do SIC ainda nesta gestão. “O fundo está previsto em lei, mas falta ser regulamentado. Acho que deveria haver os dois modelos de patrocínio”, diz referindo-se ao bônus de captação e desembolso direto para os projetos aprovados. Correndo contra o tempo, tentará reverter os valores das cifras, ainda este ano: transformar o teto em piso e incluir novas áreas.
Até dezembro, quer ver concluído (ou boa parte dele) Complexo Turístico Cultural Recife e Olinda. “Cidades como Buenos Aires, Barcelona e Nantes tiveram êxito neste modelo com a ajuda da iniciativa privada”, sonha o secretário mostrando que boa parte das obras já foram entregues ou estão em andamento. Sobre se continua na pasta por mais quatro anos, despista: “isso é decisão exclusiva do novo prefeito”.
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 12.10.2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Festuval de Música Recife
Uma nova geração de bandas nos mais variados estilos musicais será apresentada à cena musical pernambucana a partir deste mês de outubro. O Festival Música de Recife recebe, nos próximos três finais de semana, 36 grupos que vão agitar as noites da Praça do Arsenal, na parte antiga da cidadae.
A produção do evento prioriza uma programação diversificada, luz e palco com estrutura profissional, além de oferecer acesso gratuito ao público. O evento acontece a partir entre os dias 10 e 26 de outubro, sempre da sexta-feira ao sábado.
MULTIMÍDIAA seleção das bandas foi realizada por meio do material enviado ao endereço eletrônico http://www.musicarecife.com, onde constam todos os detalhes do festival. O site foi lançado no último mês de setembro com a proposta de abrigar a produção musical dos artistas que produzem música em Pernambuco.
A idéia é compor um banco de dados que sirva como referência na área, além de inscrever novos artistas e divulgar lançamentos em discos, agenda de eventos, reportagens e conteúdos multimídia.
SERVIÇO:Festival Música RecifeDias: sextas-feiras, sábados e domingos,Período: de 10 a 26 de outubro de 2008Local: Praça do Arsenal, RecifeInformações: http://www.musicarecife.com
Confira abaixo a programação do evento:
FESTIVAL MÚSICA RECIFE
De 10 a 26 de outubro, Praça do Arsenal
SEXTA-FEIRA (10/10)
20h Canivetes
21h Bande Cinè2
2h Zé Povinho
23h Zé Pilintra
SÁBADO (11/10)
21h Comunidade Azougue
22h Nuda
23h Suburbanos
24h The Playboys
DOMINGO (12/10)
17h Antiquarta
18h Relles
19h Asteróide B-612
20h The Keith
SEXTA-FEIRA (17/10)
20h Erro de Transmissão
21h Nose Tail
22h Sweet Fanny Adams
23h Profiterolis
SÁBADO (18/10) 21h Rhudia
22h Os Insites
23h AMP
24h Pocilga Deluxe
DOMINGO (19/10)
17h The Livery's
18h Martinez
19h A banda de Joseph Tourton
20h Chambaril
SEXTA-FEIRA (24/10)
20h Malvados Azuis
21h A Comuna
22h The Dead Superstars
23h Mellotrons
SÁBADO (25/10)
21h Duque de Arake
22h Ultralev
23h Electrozion
24h Júlia Says
DOMINGO (26/10)
17h Projeto Ohm
18h Pé Preto
19h Backstages
20h Vamoz!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Com informações da assessoria
Terminam nesta sexta-feira (03) as inscrições para os grupos interessados em participar do Concurso de Agremiações Carnavalescas do Carnaval Multicultural Recife 2009, realizado pela Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) por meio da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife. O concurso será nos dias 22, 23 e 24 de fevereiro de 2009, no entanto as inscrições já podem ser feitas no sexto andar do edifício-sede da PCR, sala 22, das 14h às 18h.
São 11 modalidades divididas nas categorias Grupo Especial, Grupo 1, Grupo 2 e Aspirantes e o valor dos prêmios variam de R$ 1 mil a R$ 10 mil. As modalidades são: Blocos de Pau e Corda, Clubes de Frevo, Boneco (para essa modalidade não há a categoria Grupo 2), Troças, Maracatu Baque Solto, Maracatu Baque Virado, Caboclinhos, Tribos de Índios (para essa modalidade só há Grupo1 e Aspirantes), Bois de Carnaval (não há categoria Grupo 2), Ursos (não há a categoria Grupo 2), e Escolas de Samba.
A documentação necessária para a inscrição do grupo é: originais e cópias de ata, estatuto, CNPJ e comprovante de endereço da agremiação (atualizado), além de RG, CPF e comprovante de endereço do responsável legal. Serão premiadas as campeãs e vice-campeãs de cada modalidade (exceto Aspirantes). No ato da inscrição, que é gratuita, o grupo receberá um comprovante com o regulamento.
Matéria publicada no site Folha Digital
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Formas de criação contemporânea fazem parte das discussões do encontro internacional Próximo Ato, que começa segunda-feira
Julio Cavani // Diario
juliocavani@diariodepernambuco.com.br
Mapear a produção teatral brasileira, apontar pontos de identificação entre as formas coletivas de produção e promover trocas de experiências são propostas do Próximo Ato: Encontro Internacional de Teatro Contemporâneo, que chega este ano ao Recife depois de duas edições realizadas em São Paulo em 2006 e 2007. No lugar de apresentar espetáculos, o evento se concentra em discussões e debates, voltados tanto para o público em geral quanto para a classe artística.Nos dois primeiros anos, o Próximo Ato, que é organizado pelo Instituto Itaú Cultural, ocorreu apenas em São Paulo, mas em 2008 o projeto foi descentralizado e expandido para outros estados. Além do Recife, onde a programação começa nesta segunda-feira em três espaços culturais com a participação de 39 grupos do Nordeste, o encontro já passou por Belo Horizonte em agosto, com a reunião de grupos do Sudeste, e chega a Porto Alegre em outubro, quando é a vez da Região Sul.No Recife, as discussões ocupam o Centro Apolo-Hermilo, o Teatro Armazém 14 e o Centro de Pesquisa Teatral do Recife. Além dos representantes dos grupos nordestinos, há debates com convidados de fora. Vão estar presentes Antônio Araújo (Teatro da Vertigem), José Fernando Azevedo (Teatro de Narradores), Maria Tendlau (atriz e educadora), Kil Abreu (pesquisador) e Jean-Pierre Thibaudat (escritor francês). Os três primeiros também são curadores do Próximo Ato. A curadoria e a coordenação regional no Nordeste são do diretor teatral e ator Carlos Carvalho.Em Pernambuco, participam grupos de todos os estados nordestinos, mas a maioria (24 companhias) é do próprio estado (20 do Recife e 4 do interior). Entre eles, estão desde nomes consagrados, como os paraibanos do Piolim, até iniciativas mais recentes.Os grupos participantes são Joana Gajuru (Alagoas); Teatro Popular de Ilhéus e Vilavox (Bahia); Bagaceira (Ceará); Tapete, Santa Ignorância e Abluir (Maranhão); Piollin, Alfenim e Bigorna (Paraíba); Renascer (Piauí); Facetas, Beira eClowns de Shakespeare (RN); e Imbuaça (Sergipe). De Pernambuco, foram convidados Quadro de Cena, Tróia de Taipa, Marco Zero, Construtores de História, Grupo Magiluth, Engenho de Teatro, Companhia do Chiste, Grupo da Quinta, Trupe Ensaia Aqui Ensaia Acolá, Coletivo Angu, Fiandeiros de Teatro, Coletivo Colaborativo Permanência, Visível Núcleo de Criação, Grupo Santa Fogo, Coletivo de Teatro Grão Comum, Núcleo Viventos de Pesquisa e Criação, Os Soltos, Grupo Totem, Associação Labô-Espetáculo, Trupe Espantalho, Tropa do Balacobaco, Consultoria de Ações Culturais e Lionarte.
Vontade danada de construir as cenas juntos
Em entrevista cedida ao Diario por telefone, um dos curadores do Encontro, José Fernando Azevedo comentou alguns pontos de discussão que devem ser desenvolvidos ao longo da etapa pernambucana do Próximo Ato, que em 2008 se concentra nas relações entre "experiência" e "forma". Diretor da companhia Teatro de Narradores, de São Paulo, ele integra o Conselho Nacional do Movimento Redemoinho e é professor-doutor da Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (EAD/USP)."Estamos tentando entender o sentido do teatro de grupo no Brasil", justifica o curador, enfatizando que a questão da assinatura coletiva é a prioridade do Próximo Ato. "Queremos identificar quais seriam as especificidades dessa forma de trabalhar, pois hoje em dia já é possível traçar um panorama histórico do teatro brasileiro a partir da atuação de grupos".Para ele, "a formação de grupos, num primeiro momento, nasce de uma necessidade de cooperação para a viabilização de espetáculos, mas a opção por esse caminho também resulta em escolhas que interferem tanto nos processos criativos quanto na própria relação com a platéia".Segundo Azevedo, os assuntos dos encontros não se concentram em métodos, políticas ou esquemas de produção, pois tudo isso repercute no conteúdo artístico dos espetáculos. "Ao se decidir por uma cooperativa, você adota procedimentos que redimensionam também a discussão poética, A simultaneidade fica clara", acredita. De acordo com ele, o conhecimento produzido nos eventos será reunido em uma publicação, que vai sistematizar as informações resultantes. "Talvez tudo isso seja um plano-piloto para uma pesquisa de mapeamento em âmbito nacional, que pode ser concretizada em 2010".
Matéria publicada no Diario de Pernambuco do dia 26/09/2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Aniversário da Troça de Carnaval Mista
será no dia 20.09.2008 das 16 horas as 18 horas.
A Festa acontece no Rua Francisco Cortez 226 Cordeiro, próximo ao Varejão Kennedy.
Contato: Hermes 8784-1260
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Seminário Nacional do Plano de Cultura
1 a 3 de setembro de 2008
O Seminário Nacional do Plano de Cultura - PE faz parte da etapa conclusiva de debates para elaboração do primeiro planejamento cultural
Programação
Teatro Barreto Júnior
Rua Estudante Jeremias Bastos S/N - Pina
Credenciamento - dia 01/09, as 19 horas
Cerimônia de Abertura - dia 1/09, às 19 horas
Recife Praia Hotel
Av. Boa Viagem, 9 Pina
Credenciamento - 02/09, das 08 horas às 18 horas
Grupos de trabalho - 02/09 das 9 horas as 18 horas
Oficinas - 03/09 das 9 horas 13 horas
Faça sua Inscrição e conheça as diretrizes submetidas ao debate no site www.cultura.gov.br/pnc
Contato: 81 3184-3021 / seminariopncpe@gmail.com
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
CONVITE - REDES SOCIAIS
O ebento é promovido pela Secretaria de Cultura, Fundação de Cultura e patrocinado pela Prefeitura da Cidade do Recife.
Estarão participando do evento representantes de entidades e Redes formadas na região metropolioitana do Recife e que já possuem algum tipo de atividade.
Data: 05 de setembro de 2008 ás 14 horas
Local: Auditório da Escola Estadual Lagoa Encantada.
Endereço: Rua Benigno Jordão de Vasconcelos S/N
terça-feira, 26 de agosto de 2008
EDITAIS
Produtores culturais e artistas devem ficar atentos aos novos editais nacionais lançados esta semana. Só a Funarte, com quatro editais, vai distribuir R$ 10 milhões para a cultura através do Programa Nacional de Bolsas, Projeto Pixinguinha, Rede Nacional Artes Visuais e Prêmio Marcantonio Vilaça. As bolsas de estímulo à criação artística são destinadas a projetos em diversas áreas, sendo concedidas duas por categoria em cada região do país, totalizando 70 bolsas. Os artistas precisam deselvolver trabalhos inéditos, com o objetivo de ampliar a produção ea difusão da arte no país. As informações para todas as seleções públicas estão no www.funarte.gov.br.Já a Caixa Econômica Federal tem disponível no site www.caixa.gov.br/caixacultural o regulamento para concorrência em patrocínio de festivais de teatro e dança, com inscrições até 26 de setembro, e outro de Apoio ao Artesanato Brasileiro. A Caixa destinará R$ 2 milhões para os projetos de teatro e R$ 900 mil para os de dança. Os festivais devem ocorrer de janeiro a dezembro de 2009. Os artesãos podem apresentar seus projetos no programa de fomento até 24 de outubro. O regulamento também está na página da Caixa na internet.
Material publicado no Diario de Pernambuco do dia 26/08/2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
PONTOS DE CULTURA
Parceria // MinC e Fundarpe dividem responsabilidades e prometem ampliar e aperfeiçoar a atuação no estado
Aline Feitosa // Diario
aline.feitosa@diariodepernambuco.com.br
Estruturador e com foco na população produtora de arte e tradições, o programa Cultura Viva - em que estão inseridos os já famosos pontos de cultura -, começa a sair do colo do Ministério da Cultura (MinC) e buscar novas formas de caminhar. O projeto de descentralização divide as responsabilidades financeiras e burocráticas com os estados brasileiros, que a partir de agora criam e gerenciam seus próprios editais do Cultura Viva. Para viabilizar a nova fase dos pontos de cultura, o governo federal entra com dois terços do investimento, enquanto o estado participa com um terço. Em Pernambuco, a parceria resultará em 120 novos pontos, além dos 36 já existentes (ainda conveniados com o MinC) . O edital, aberto em 28 de junho e prorrogado até 30 de setembro, prevê um total de R$ 28,5 milhões para o estado. Desse recurso, orçado para os próximos três anos, R$ 9,5 milhões serão provenientes do Governo do Estado (via Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - Fundarpe) e R$ 19 milhões sairão dos cofres da União. Além de ser um dos estados brasileiros com maior investimento para a descentralização do programa (atrás apenas da Bahia, que abrirá 150 novos pontos), Pernambuco criou um formato próprio para seu edital. "Vamos considerar os novos pontos numa ótica de fomento continuado, como patrimônios imateriais. Dentro dos 120 que serão selecionados, os que representarem matrizes de identidades culturais terão um plano permanente de preservação e de difusão cultural", adianta a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo. Segundo ela, o novo modelo será experimentado no próximo ano e depois regulamentado enquanto lei. "Após o convênio do Cultura Viva, a idéia é que os grupos tradicionais de maracatus, caboclinhos, cavalos-marinhos e reisados, entre outros, tenham uma salvaguarda permanente, monitorada não só no ponto de vista financeiro, mas do ponto de vista técnico", explica. Diante das novidades, o programa será gerenciado em Pernambuco pelaDiretoria de Patrimônio da Fundarpe. "Ainda temos a obrigação, pelo acordo de cooperação assinado com o MinC, de montar uma unidade de gestão para fazer a prestação de contas de todos os pontos de cultura", diz Marta Figueiredo, coordenadora em Pernambuco do projeto de expansão do Cultura Viva. Para se ter uma idéia dessa expansão (inclusive administrativa), todos os pontos de Cultura do Nordeste/ Nordeste (que são mais de 400) são gerenciados por uma equipe mínima, com no máximo três pessoas, funcionários da delegacia regional do MinC, que funciona no Recife. "Vamos ter mais 25 pessoas ajudando neste gerenciamento, já que abrimos uma seleção para 25 bolsistas para área de formação em política pública e cultura", garante Luciana Azevedo, que receberá do MinC também a missão de gerir os 36 convênios em andamento.Interiorização - Um dos motivos que fez a Fundarpe prorrogar o prazo de inscrições para a seleção dos pontos de cultura foi ganhar tempo para uma maior divulgação do edital no interior do estado. O objetivo é distribuir igualmente os 120 pontos entre as doze regiões de desenvolvimento, do Litoral ao Sertão. Até a última semana de setembro, a Fundarpe estará com uma equipe técnica em cavarana por vários municípios, oferecendo capacitação aos grupos interessados. Os pontos de cultura selecionados receberão repasse financeiro de até R$ 180 mil, em três parcelas anuais. Os interessados devem buscar o regulamento e o formulário do edital no http://www.fundarpe.pe.gov.br/.
Matéria publicada no Diario de Pernambuco de 21/08/2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Roberto Pereira
Ex-secretário de Educação e Cultura de Pernambuco
robertop@elogica.com.br
Deve-se à Academia Pernambucana de Letras, à época presidida por Luiz Delgado, a sugestão ao governador de Pernambuco, Paulo Guerra, da data do nascimento do abolicionista Joaquim Nabuco - 19 de agosto de 1849 - como o Dia da Cultura Pernambucana.A homenagem a Nabuco foi menos por sua luta em defesa dos escravos, dos "santos negros" como ele gostava de aludir, e mais pela magia dos seus saberes diversos, um humanista de densa e extensa obra, ênfase para Minha formação e Um estadista do império, como a indicar o escritor de estilo inexcedível, um dos maiores de nossa literatura.Joaquim Nabuco não foi apenas um abolicionista. Foi, sobretudo, um reformador social à medida que, defendendo a libertação dos escravos, apregoava a inclusão destes à vida comunitária, fazendo-os seres sociais. Da Casa de Carneiro Vilela vieram os argumentos à inteligência de Joaquim Nabuco, condensada nos seus pendores de escritor e poeta, ensaísta e conferencista, teatrólogo, pensador e jornalista, um dos mais insignes talentos do seu tempo.O Dia da Cultura Pernambucana teve como motivação não somente a cultuação daquele que, sendo um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, foi também o primeiro secretário daquela Corte literária. O dia, consagrado à cultura pernambucana, é para lembrarmos o quanto somos pródigos de história e tradição, engenho e arte, talento e criatividade. É para rememorarmos as antecipações político-libertárias deste estado varonil.Celebrar é preciso! Comemorar o primeiro grito de República, em 1710, professado em Olinda por Bernardo Vieira de Melo. Relembrar a Convenção de Beberibe que, em 1821, nos deixou autônomos numa alvorada à Independência Nacional. Inúmeros os mosaicos onde poderíamos cravar os nomes dos nossos heróis e mártires, artistas e artesãos, escritores, poetas e literatos, mortos, uns, vivos, outros, todos luzindo a bela paisagem cultural de Pernambuco.Nesse caleidoscópio cultural, alvíssaras ao Movimento de Cultura Popular, à frente Paulo Freire, em 1960; ao Movimento Armorial, da criação de Ariano Suassuna; ao Mangue Beat, dos idos de 1990, este unindo a música pop internacional e o rock aos gêneros tradicionais da música de Pernambuco, a exemplo do coco, do maracatu, da ciranda, do caboclinho, com destaque para Chico Science.Ressalte-se também a etnia em cuja miscigenação repousa muito da cultura afro-brasileira, indígena e as europeizadas do homem branco.Guararapes, cujo legado, segundo Gilberto Freyre, foi o "endereço certo à unidade brasileira". Volto a sugerir que a data de nascimento do autor de Casa-grande e senzala - 15 de março de 1900 - seja consagrada como o Dia da Cultura Recifense. A biografia de Freyre engrandece a inteligência dos recifenses e pernambucanos, sobrelevado, por sua vida e sua obra, a uma transposição no tempo, numa eloqüente superação de valores. O Brasil conferiu a Ruy Barbosa - 5 de novembro de 1849 - o Dia da Cultura Nacional.Eis Pernambuco de espírito engalanado nodia de sua cultura, esta como expressão da arte e dos usos e costumes, da humanização, dos seus valores ligados à música, à gastronomia, à literatura, à ensaística, à estética, ao folclore, ao artesanato, à dança, à identidade do nosso povo, às lições cívico-culturais dos nossos antepassados, à nossa independência, já que a vida e a liberdade são valores intrínsecos à condição humana.
Artigo publicado no Diario de Pernambuco do dia 19/08/2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Eu Faço Cultura traz oficinas de música gratuitas para o Recife

Um projeto que oferece oficinas de música e produção musical gratuitas para a população chega ao Recife no próximo dia 16. Trata-se do Eu Faço Cultura (EFC), uma iniciativa da Federação Nacional das Associações de Empregados da Caixa (FENAE) em parceria com a Caixa Seguros, com incentivos da Lei Rouanet.
O projeto fica na capital pernambucana até o dia 18. São 50 vagas para a oficina de música e outras 50 para a de produção musical. Cada oficina tem a duração de dois dias.
A oficina de música acontece nos dias 16 e 17 de julho. As aulas de percussão serão ministradas pelo grupo Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife, que existe desde 1906. Os dez alunos que mais se destacarem vão participar de uma apresentação com o grupo Monobloco, encerrando as atividades de EFC na cidade.
Dez alunos que mais se destacarem na oficina de percussão ministrada pelo Maracatu Nação Estrela Brilhante vão participar da apresentação. O show será no Cabanga Iate Clube, no bairro de São José. Os ingressos custam R$ 25 e estão à venda nas lojas Avesso e Osklen, do Shopping Recife
quarta-feira, 9 de julho de 2008
PATROCÍNIO
Publicado em 09.07.2008
Alessandra Duarte
Agência Globo
RIO DE JANEIRO – A Petrobras anunciou, na segunda-feira, mudanças no seu Programa Petrobras Cultural, o programa de seleção pública de projetos culturais para patrocínio pela empresa. A partir de agora, em vez de lançar apenas um edital, geralmente no fim do ano, a Petrobras lançará dois: um em outubro (este ano, o lançamento será dia 15 de outubro), para projetos de produção e difusão, e outro em abril, para projetos de formação (como os educacionais) e memória. Segundo a gerente de patrocínio da empresa, Eliane Costa, a divisão tem o objetivo de acabar com a grande concentração de projetos num único período, como ocorria antes. O patrocínio ao cinema – tanto a produção quanto a difusão – ficará no edital de outubro, que este ano a empresa calcula que leve algo em torno de R$ 40 milhões a R$ 45 milhões (o valor definitivo só sairá no fim do ano).
Outra novidade é que, ao contrário do que a Petrobras chegou a anunciar, ela não vai mais passar a cobrar dos projetos a aprovação deles na Lei Rouanet já na hora da inscrição no Petrobras Cultural. Agora, os projetos finalistas (ou seja, os que foram aprovados pelas comissões da Petrobras e que vão passar pela última etapa de análise, que é o conselho do programa) serão analisados pelo Ministério da Cultura para entrarem na Rouanet antes de irem para a etapa final de análise (a do conselho).
Isso fará com que todos os que cheguem à seleção final já cheguem aprovados na Lei Rouanet, além disso, aqueles que forem contratados terão um prazo de 90 dias para conseguirem a documentação necessária. Os únicos projetos em que a Petrobras vai manter a exigência de já estarem aprovados numa lei federal de incentivo já no momento da inscrição no Petrobras Cultural são os de produção e difusão de longas-metragens (35mm e digital). Estes já terão que estarem aprovados na Lei do Audiovisual na hora da inscrição no programa da Petrobras, por uma exigência da Ancine.
Sem contar mais com a presença dos consultores de cada área de patrocínio, como nos anos anteriores, o Petrobras Cultural deste ano também vai lançar uma nova área de seleção: a Cultura Digital, com linhas de apoio a sites culturais já existentes há pelo menos 1 ano, e a festivais e eventos de artes eletrônicas e cultura digital que já tenham tido pelo menos uma edição, e que tenham pelo menos três dias de duração. A área da música também sofrerá alterações com este novo programa: acompanhando o perfil do consumo de música, cada vez maior pela internet, será bem menor o número de projetos de gravação e distribuição de CDs patrocinados pela Petrobras, que passará a patrocinar mais os projetos de difusão de música pela internet e por SMDs (CDs menores, com poucas faixas), as músicas desses projetos terão de ser interpretadas pelos próprios compositores, para garantir os direitos autorais das obras.
Lançado em 2003, o Programa Petrobras Cultural não ocorreu no ano passado. A empresa estava “"arrumando a casa”", segundo Eliane: tinha acabado de apresentar uma queda nos lucros (o que afeta seu patrocínio) e também estava com um acúmulo de 152 projetos que haviam sido aprovados mas ainda não haviam sido contratados, por falta de documentos ou certidões. A situação desses projetos foi regularizada, mas 23 deles perderam o patrocínio por não apresentarem a tempo os documentos.
Amanhã, às 14h, Eliane Costa participará de um chat no site Terra (www.Terra.Com.Br) para tirar dúvidas sobre as mudanças no Petrobras Cultural.
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 09.07.2008
terça-feira, 8 de julho de 2008
Encontro Percussivo REC-PE traz percussionistas e bateristas para o Recife
O grupo Quebra-Baque abre a programação, ainda do lado de fora do Teatro de Santa Isabel, a partir das 18h30. Já no palco, sob regência de José Renato Accioly, a platéia vai assistir ao show do Grupo de Percussão do Nordeste, com solos de Ney Rosauro, brasileiro radicado nos Estados Unidos.
Além da programação no teatro, o evento vai contar com master classes, a partir da quinta-feira (10). Todas as apresentações são gratuitas e os ingressos devem ser retirados nas bilheterias do Teatro de Santa Isabel, a partir das 18h.
Confira a programação:
Quinta (10), às 9h
Master Class - Vera Figueiredo (SP)
CPM
Quinta (10), às 14h
Master Class - Joaquim Abreu (SP)
CPM
Quinta (10), às 19h30
Show - Éder Rocha, Ebel Perrelli e Vera Figueiredo
Santa Isabel
Sexta (11), às 9h
Master Class - Eder Rocha (PE)
CPM
Sexta (11), às 14h
Master Class - Javier e Myrna Nandayapa (México)
CPM
Sexta (11), às 19h30
Joaquim Abreu e Grupo de Percussão da UFBA, com o regente Jorge Sacramento
Santa Isabel
Sábado (12), às 9h
Master Class - Ney Rosauro (USA/BR)
CPM
Sábado (12), às 19h30
Duo Javier e Myrna Nandayapa, com o grupo de percussão do EMUFPA (PA) e o regente Vanildo Palheta
Santa Isabel
Domingo (13), às 19h
Grupos de percussão da UFBA, do Pará e do Nordeste
Santa Isabel
da Redação do pe360graus.com
sexta-feira, 4 de julho de 2008
BNB Cultura
Oficina do Programa BNB de Cultura 2009, no Recife. Essa ação, ministrada pela equipe do Ambiente de Gestão da Cultura do Banco do Nordeste, tem como objetivo sensibilizar e capacitar artistas, produtores, representantes de instituições ligadas à cultura para elaboração de projetos conforme o edital público do programa. A capacitação dura em média 5 horas e, de acordo com a agenda dos facilitadores, ela deverá ser realizada no dia 15 de julho de 2008, das 14 às 19h.
O Programa BNB de Cultura apóia anualmente, por meio de seleção pública, projetos ligados às áreas de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e artes integradas ou não específicas.
A Capacitação será realizada no Auditorio do Sebrae/PE
Rua Tabaiares 360, Ilha do Retiro - Recife
Informações 21018432
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Capacitação
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Concurso de música carnavalesca já está com inscrições abertas
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Mapa das Artes
até de 10 de julho
informações CFAV, pátio de São Pedro, casa 11 São José
ou mapadasartes@yahoo.com.br
Prêmio Vivaleitura
quinta-feira, 5 de junho de 2008
DOCTV
CONCURSO DOCTV IV
Quando a realidade parece ficção, é hora de fazer documentáriosA partir de 27 de maio estão abertas as inscrições para a quarta edição do Concurso DOCTV IV no Estado de São Paulo e DOCTV SP III.
A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, a Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais - ABEPEC, a Fundação Padre Anchieta - TV Cultura, a Empresa Brasil de Comunicação - TV Brasil, lançam o Concurso DOCTV IV, que premiará 02 (dois) Projetos de Documentário com:
- Contrato de Co-produção no valor de R$ 110 mil (cento e dez mil reais), para realização de cada documentário;
- Teledifusão nacional dos documentários premiados em horário nobre, em Rede Pública de Televisão;
- Participação dos Autores dos dois projetos de documentário selecionados no Concurso paulista do DOCTV IV na Oficina para Desenvolvimento de Projetos, que reúne os 35 autores de projetos selecionados nos Concursos Estaduais DOCTV IV com 05 expoentes do documentário nacional para debate e aperfeiçoamento dos projetos, antes do início da gravação. Nas edições anteriores essa Oficina teve como orientadores os documentaristas Geraldo Sarno, Eduardo Coutinho, Eduardo Escorel, Maurice Capovilla, Jorge Bodanzky, Giba Assis Brasil, Cristiana Grumbach, Ruy Guerra e Joel Pizzinni;
- Participação dos Autores e seus respectivos diretores de produção na Oficina de Desenho Criativo de Produção, que leva os autores e diretores de produção dos projetos selecionados nos Concursos Estaduais DOCTV IV a um Pitching com 02 renomandos produtores audiovisuais, para aperfeiçoamento dos Desenhos de Produção dos documentários, antes do início da gravação.
Baile do Menino Deus
sexta-feira, 9 de maio de 2008
POLÍTICA PÚBLICA
Publicado em 09.05.2008
Cadeia do audiovisual terá à disposição câmera 35 mm de R$ 1,5 milhão. MinC acertou com a Fundarpe implantação de pontos de cultura
Olívia Mindêlo
oliviamindelo@jc.com.br
Menos elucubração, mais objetividade. A visita do ministro da Cultura Gilberto Gil a Recife e Olinda, ontem, se mostrou proveitosa para quem lida com a área no Estado. Além de assinar o termo de comodato que passa a autorizar o uso da aguardada câmera Aaton 35 mm por cineastas do Norte e Nordeste, através da Fundação Joaquim Nabuco, Gil também participou de solenidade com o governador Eduardo Campos para firmar acordo de cooperação entre as duas instâncias de poder.
Na prática, ambas as assinaturas devem trazer mais oportunidade e apoio à cadeia produtiva cultural de Pernambuco. No primeiro caso, as atenções concentram-se no audiovisual, setor que vai poder economizar até 30% num projeto de filme, caso pegue emprestada a câmera profissional do Centro Audiovisual Norte e Nordeste (Canne), que substitui o CTAV-NE, criado no ano passado.
De acordo com a diretora de Cultura da Fundaj, Isabela Cribari, a prioridade agora é fazer um seguro para o equipamento e definir os critérios de sua utilização – que fica a cargo de uma comissão, ainda em fase de articulação. Depois, as solicitações começarão a ser atendidas, no sistema de fila. Por enquanto, não há uma data definida para isso acontecer.
O equipamento, que custou R$ 1,5 milhão, está parado há um ano por entraves burocráticos e políticos na sala do centro, na Fundaj do Derby. Só havia sido utilizado durante as aulas de um curso de assistente de câmera do projeto.
Na Fundaj, o ministro também assinou um termo interministerial de cooperação entre o Ministério da Educação (ao qual a Fundaj faz parte) e o Ministério da Cultura. “Essa (o centro) é a primeira ação efetiva dessa cooperação na região. A fundação é uma instituição de políticas públicas para o Norte e o Nordeste do País, não só para Pernambuco. Queremos fortalecer sua atuação na região”, disse Cribari.
MAIS CULTURANa parceria com o Governo de Pernambuco, Gil assinou um documento que oficializou a implementação do Programa Mais Cultura no Estado. A solenidade foi realizada na tarde de ontem, no Centro de Convenções. Uma parcela dos recursos da iniciativa, lançada em outubro de 2007 para ampliar descentralizar os investimentos na área, será destinada à criação no Estado de 120 novos pontos de cultura, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), e de 12 bibliotecas públicas.
“Não há uma verba específica para o Mais Cultura em Pernambuco. No total, vamos ter investimentos, nos próximos três anos, em torno de R$ 4,8 bilhões para todo o País, a partir do orçamento do MinC. São os governos estaduais que vão orientar as aplicações desses recursos”, afirmou Gil, em entrevista coletiva.
Luciana Azevedo, presidente da Fundarpe, explicou que ainda não tem uma data de lançamento para o edital dos novos pontos de cultura, que vão contemplar todas as microrregiões pernambucanas.
Gil também visitou a Nação Xambá, em Olinda, durante sua visita.
Lançado edital do “maior Funcultura do Estado”
Publicado em 09.05.2008
O governador Eduardo Campos aproveitou a presença do ministro da Cultura Gilberto Gil ontem à tarde, no Centro de Convenções, para fazer o lançamento da esperada edição 2008 do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). O edital já está com inscrições abertas no novo site da Fundarpe (www.fundarpe.pe.gov.br). O prazo é o dia 30 junho.
A novidade foi anunciada para mais de 500 pessoas presentes, a maioria produtores culturais interessados em aprovar seus projetos no edital deste ano. O Maracatu Piaba de Ouro abriu o evento, aliás, repleto de clichês de “pernambucanidade”. A começar pela frase de Luciana Azevedo, presidente da Fundarpe: “Esse é o maior Funcultura da história do Estado”. O exagero, típico de cidadãos que usam o adjetivo “maior’ em tudo, tem fundamento, além do político. De acordo com Luciana, o fundo chega este ano com uma ampliação de 289% dos recursos em relação a 2006. A bandeira significa mais dinheiro para a realização dos projetos culturais idealizados pela sociedade civil. Em números, R$ 12 milhões para os produtores independentes, verba que será distribuída em dois módulos. O primeiro, agora, vai disponibilizar R$ 8 milhões, distribuídos em 33 linhas de ação das 11 áreas da cultura (música, artes plásticas, artes cênicas, gastronomia, etc.). O restante fica para o próximo momento, a fim de que possam ser contemplados projetos eliminados por ordem classificatória nesta fase atual.
As linhas de ação foram definidas em fóruns realizados no ano passado com cada uma das classes artísticas do Estado. “O Funcultura 2008 simboliza um processo de democratização do incentivo à cultura”, defende Teca Carlos, diretora do fundo. De acordo com ela, as diretrizes da atual política pública também norteia o edital. Isso significa que prioridades da Fundarpe, como a formação de platéias e a realização de pesquisas, por exemplo, receberam enfoque no edital. “Temos R$ 2,5 milhões para as áreas de pesquisa e formação. Todas as áreas contemplarão um ou mais projetos nesse sentido”, dá a dica. A relação de projetos com o interior do Estado também é prioridade. Portanto, iniciativas assim serão bem vistas pela comissão deliberativa, formada por 15 pessoas.
Vale lembrar que as oportunidades aumentaram, mas a concorrência também: há 960 produtores cadastrados no Funcultura atualmente, contra os 360 do ano passado. E ainda dá tempo de se cadastrar como produtor na Fundarpe: até 15 dias antes do fim das inscrições, ou seja, até 15 de junho. Informações: 3184-3000.
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 09.05.2008.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
POLÍTICA PÚBLICA
Publicado em 08.05.2008
Depois de mais de dois meses da última visita ao Recife, ao lado do ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência da República Mangabeira Unger, o ministro da Cultura Gilberto Gil volta à cidade para fechar metas de ordem mais objetiva para este ano. Hoje à tarde, no Centro de Convenções, ele assina um acordo de cooperação com o governador do Estado, Eduardo Campos, para a implementação do Programa Mais Cultura em Pernambuco.
O programa vai proporcionar investimentos de cerca de R$ 4,7 bilhões na cultura brasileira nos próximos três anos. Por aqui, a verba será destinada à instalação de 12 novas bibliotecas e à criação de 120 Pontos de Cultura. Esta última iniciativa faz parte das prioridades de atuação em 2008 da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). A presidente do órgão, Luciana Azevedo, só estava aguardando uma visita formal do ministro Gil para tornar realidade o projeto, que contará com verbas estaduais e federais. O edital para os novos pontos do Estado ainda está sendo elaborado e não tem, por enquanto, previsão de lançamento. Atualmente, o Estado tem 36 pontos de cultura.
Além da reunião com Eduardo Campos, Gil vai pela manhã à Fundação Joaquim Nabuco para assinar um convênio para aguardada cessão da câmera de cinema em 35 mm para o Centro Técnico Audiovisual Norte e Nordeste, implementado pela Fundaj em conjunto com o Minc no ano passado, sob o nome de CTAV-NE.
Na seqüência, ele faz visita ao Nação Xambá, em Olinda.
FUNCULTURA
Após a solenidade de assinatura de parceria entre o Governo do Estado e o Ministério da Cultura, no Centro de Convenções, à tarde, Luciana Azevedo e o governador aproveitam para lançar, finalmente, o edital 2008 do Funcultura, que vai disponibilizar R$ 12 milhões (valor bruto) a produtores culturais independentes do Estado para realizar projetos em diferentes categorias. O edital é publicado em seguida no site da Fundarpe (www.cultura.pe.gov.br). As inscrições vão até 30 de junho.
Matéria publicada do Jornal do Commercio de 08.05.2008
terça-feira, 6 de maio de 2008
PATROCÍNIO
Publicado em 06.05.2008
Decreto com alterações já foi publicado no Diário Oficial. Projetos deverão atender às necessidades de demanda estabelecidas pelas câmaras setoriais. Edital vai destinar R$ 12 milhões para produtores
Um decreto (nº 31.746) publicado ontem no Diário Oficial antecipou algumas das mudanças que serão divulgadas na quinta-feira (dia 8), quando a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) anuncia o edital do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). A mais expressiva delas é o atendimento, na seleção dos projetos, às demandas enviadas pelas comissões setoriais de cada uma das 11 áreas culturais defininidas pela fundação (música, dança, teatro, fotografia, artes plásticas, gastronomia, etc). Segundo a Diretora de Incentivo à Produção Cultural Independente, Teca Carlos, os projetos que não entrarem no que está sendo chamado de “demanda induzida” entrarão no módulo “demanda de mercado”.
Essa divisão vai priorizar, claramente, aqueles projetos que tais comissões setoriais julgarem mais relevantes para cada área. “É uma hieraquia de prioridades”, explica Teca. “Vamos receber as sugestões de cada setor para então absorvê-las no próprio edital”, continua. Os projetos que entrarem na demanda induzida terão R$ 8 milhões, no total, à disposição, enquanto aqueles que não ficarem dentro dos “prioritários” vão para a “demanda de mercado”. “São os projetos mais mercadológicos, com os quais o Estado tem menor responsabilidade”, diz a diretora.
Segundo ela, a mudança vai trazer maior acesso ao sistema de incentivo. “Geralmente, 70% do dinheiro do Funcultura vai para as áreas que mandam mais projetos, como teatro e música. Com essa divisão, isso não vai mais acontecer. Acredito que os R$ 4 milhões que não entram na demanda induzida vão justamente ser repartidos entre as produções musicais e teatrais”, comenta.
Outra mudança é a formação de uma comissão tripartite, onde três pessoas de cada área vai ajudar a avaliar os projetos enviados. A comissão deliberativa do Funcultura, formada por 15 membros (5 do governo, 5 de organismos como universidades e fundações e mais 5 representantes de áreas culturais) é, contudo, soberana na decisão dos projetos. Outra mudança menore que, segundo a diretora do Funcultura independente, ajuda o acesso dos produtores culturais ao sistema de incentivo é a possibilidade de comprovação de moradia utilizando conta de telefone. “Antes, só contas de luz, por exemplo, eram aceitas. Mas para quem morava em uma habitação alugada, onde a conta pode vir com o nome do proprietário, era um problema.”
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 06.05.2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Curso Básico Produção Cultural para Músicos
Auditório Sindsep (rua Fernandes Vieira, 67 - Boa Vista - Recife)
Custo: R$ 70,00
Informações: 9244 9612 / 9195 2181 / 8800 7256
Aproveite!!
Um abraço!!
Luciene Malta
Casa da Cultura comemora 32 anos com programação artística

Quem passar pela antiga Casa de Detenção do Recife, atualmente Casa da Cultura, poderá conferir apresentações de Bia Marinho, Maracatu Piaba de Ouro, Cavalo Marinho de Mestre Salustiano, Maracatu Nação Leão Coroado e Caboclinho 7 Flexas.
HISTÓRIA
A Casa de Detenção do Recife terminou de ser construída em 1867 e seu projeto foi concebido segundo o modelo de penitenciária mais moderna existente na época, na França. Seguindo essa lógica, o edifício, inaugurado em 1855, apresenta o formato de cruz, e é composto por quatro raios correspondentes aos pontos cardeais (Norte, Sul, Leste, Oeste), todos com três pavimentos
Em 1963, o então Chefe da Casa Civil, Francisco Brennand imaginou que o local poderia ser transformado numa casa que abrigasse toda a produção cultural do Estado. Foram necessários estudos para adaptar a antiga Casa de Detenção às suas novas funções. Três anos após o fechamento da Casa de Detenção, em 14 de abril de 1976, a Casa da Cultura foi inaugurada.
quarta-feira, 19 de março de 2008
INCENTIVO
Publicado em 19.03.2008
Com o fim do período de carência para produtores, disputa pelos R$ 12 milhões deve ser maior e mais acirrada
Eugênia Bezerra
eugenia.bezerra@gmail.com
Os produtores culturais de Pernambuco terão acesso mais fácil e democrático aos recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) a partir deste ano. É o que promete a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) com a extinção da carência de seis meses de cadastro que era imposta aos produtores interessados em concorrer aos recursos governamentais. O governador Eduardo Campos assinou na última sexta-feira o decreto nº 13.407/2008, aprovado em regime de urgência pela Assembléia Legislativa, no último dia 13, que modifica o Artigo 4º da lei 12.310/2002.. As novas regras entraram em vigor segunda-feira.
O edital do Funcultura 2008 será divulgado na primeira quinzena de abril, por isso haverá tempo para se inscrever. Mas, mesmo com o fim da exigência dos 180 dias de cadastro, é preciso estar atento ao prazo de 15 dias para a análise da documentação do produtor. Apenas aqueles que passarem por esse processo terão sua candidatura homologada e poderão inscrever projetos no Funcultura. “Orientamos quem ainda não se cadastrou a fazê-lo o mais rápido possível, porque prevemos um aumento considerável de projetos inscritos este ano”, explica a Diretora de Gestão do Funcultura, Teca Carlos.
O aumento dos recursos do Funcultura, que este ano será de R$ 12 milhões, e o fim da carência são medidas complementares. “Não faria sentido ampliar os recursos sem garantir o acesso a um número maior de pessoas, porque estaríamos perpetuando a concentração da verba”, afirma a gestora.
Para ampliar o alcance regional do incentivo, a Fundarpe realizará oficinas de capacitação na Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata, Agreste e Sertão. “A ação faz parte da proposta de interiorização. Produtores de outras cidades poderão participar com mais igualdade” resume. A programação das oficinas deve ser divulgada nesta semana. Ainda segundo Teca Carlos, o fim da carência, a ampliação dos recursos e a realização de oficinas foram as principais demandas levantadas nos fóruns realizados pela Fundarpe em 2007.
AUDIOVISUAL
A Fundarpe também anunciou a inclusão de mais cinco projetos habilitados para a segunda etapa do processo seletivo do 1º Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual do Estado. Com a inclusão dos curta-metragens Os Dragões Brasileiros e A Maldição de Simeão, de José Manoel da Silva, Libéria Antes das Cinco e As Noites de Harley, de Arthur Fernandes, e o vídeo para TV Preto e Ponto!, de Miguel de Odilon Farias, o número de projetos aprovados passou para 120. O resultado final será anunciado em 10 de abril.
INCENTIVO II
Produtores estão otimistas
Publicado em 19.03.2008
A extinção da carência foi recebida com elogios pelos produtores culturais, mas mesmo assim, eles ainda acreditam que o processo precisa se aperfeiçor ainda mais. Se por um lado, a democratização do acesso aos recursos é o principal aspecto positivo citado pela classe, por outro, a necessidade de reestruturar a forma de seleção dos projetos e a criação de regras que se adeqüem melhor às necessidades de cada setor são as críticas mais comuns.
“Desde que foi implementado o cadastro, sempre nos posicionamos contra a carência porque não é o tempo de inscrição que garante a capacidade de um produtor cultural. Agora, mais pessoas podem concorrer e o que conta é a competência do produtor”, resume a produtora cultural Paula de Renor.
Para ela, a redistribuição da verba em cada área também contribuiria para aumentar a eficiência do Funcultura. “Poderiam criar subdivisões em cada área para, por exemplo, contemplar a manutenção de companhias e espaços nas artes cênicas”, avalia. Paula também defende uma reestruturação do processo de avaliação. “Reconheço que o volume de propostas é grande, mas seria muito bom que a análise das propostas fosse mais próxima dos produtores, quem sabe com a defesa oral dos projetos”, sugere a produtora.
O diretor Leonardo Lacca só participou de um edital do Funcultura como produtor, justamente por causa das antigas exigências. “A carência engessava o processo. Algunas vezes as pessoas se viam obrigadas a procurar um produtor que não tinha identificação com o projeto, o que é prejudicial. A medida vai facilitar a renovação e a pluralidade”, afirma o produtor. “Desde que o audiovisual se desligou do Funcultura, temos uma regulamentação mais focada. Acho que o próximo passo é fazer algo semelhante com as outras áreas, porque algumas algumas exigências gerais do edital não condizem com as atividades específicas de cada setor cultural”, avalia.
A produtora Andréa Mota também acredita que a medida propicia uma diversidade benéfica para a produção cultural no Estado. “Vai haver um número maior de pessoas criando novos produtos e eventos culturais. Claro que a concorrência aumenta, mas ela é instigante, vai ser bom para fazer crescer a qualidade do que é realizado”. Ela ainda afirma que é preciso investir na qualificação, em vários setores. “Debe haver mais investimento em cursos de criação de projetos e prestação de contas, por exemplo”, avalia. (E.B)
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 19.03.2008
