segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Músicos, produtores e agentes culturais da Região Metropolitana do Recife devem ficar atentos. A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) realiza, na próxima quarta-feira (31), o Fórum Setorial de Música, em que serão discutidas e apresentadas propostas para a elaboração de uma política pública para o setor, considerado um dos mais importantes do Estado. O evento, aberto ao público, será realizado a partir das 14:30, no Teatro Armazém, localizado avenida Alfredo Lisboa, no Bairro do Recife.
A iniciativa faz parte do atual modelo de gestão da instituição que vem priorizando a participação dos artistas no processo de elaboração de programas governamentais. Na ocasião, a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, apresentará o programa de cultura para o Estado, chamado Pernambuco Nação Cultural. Em seguida, inicia-se a escuta com os presentes. Também participam da plenária o diretor de Políticas Culturais, Carlos Carvalho, e o coordenador de música da Fundarpe, Rafael Cortes.
Durante a escuta, os participantes elegerão representantes que formarão uma comissão permanente de discussão, que participará ativamente de reuniões e apresentando as demandas do setor. O resultado dessas discussões vai compor o plano setorial e fará parte da Lei da Política de Cultura.
Serviço:Fórum Setorial de MúsicaLocal: Teatro Armazém , av. Alfredo Lisboa, Bairro do RecifeQuarta-feira (31), às 14:30Informações: 3134.3075
da Redação do pe360graus.com
Cultura na Zona da Mata
Zona da Mata amplia raio de ação e valoriza o produto local
Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
O batuque solto, os sons de metais e uma voz de mulher - que recita frases de poesia popular, depois respondida por outro coro feminino - é ouvido ao longe. Fosse na cidade, um maracatu de mulheres seria mais comum, mas saído direto do município de Nazaré da Mata, terra de grande parte dos maracatus rurais de Pernambuco, é de se admirar. Significa uma expansão que o município está vivenciando em sua cultura. Um reflexo de uma cena da cultura que se fortalece cada vez mais na Zona da Mata. Músicos, brincantes, produtores da região e moradores contam cada vez mais com exemplos que fortalecem essa impressão: existe uma revolução cultural se formando ali. Com quartel general e tudo. O QG da revolução artística da Zona da Mata está num sítio, chamado Chã de Camará, no município de Aliança. E foi a partir de lá que foi escrito, pelo produtor e agente cultural Afonso Oliveira, o manifesto Canavial, sugerindo o aparecimento de um movimento não-articulado, mas de idéias comungadas e ações que atraem o foco das atenções de toda sociedade para essa região pouco desenvolvida e extremamente potente em sua arte.
É lá que se mantém erguida a antiga casa do mestre Batista, hoje transformada pelo seu filho, José Lourenço, em Ponto de Cultura, uma ação do Ministério da Cultura para potencializar centros produtivos de cultura em todo país. Hoje, as terras de uma antiga usina de cana-de-açúcar servem à produção de policultura: discos de maracatu rural de mulheres (nesse caso, o Coração Nazareno), de cocos-de-roda, caboclinho etc. Para fortalecer as ações deste sítio cultural, chegou recentemente a notícia da compra, pela Prefeitura de Aliança, de uma área de 3 hectares para a criação de um centro cultural. O terreno, uma extensão do sítio, será doado ao Ponto de Cultura. "O projeto será encaminhado para diversos ministérios, a gente vai buscar apoio para construção de vários espaços", diz o administrador José Lourenço. As instalações irão abrigar cineteatro, passarelas para o maracatu, centro de memória, parque de esculturas, local de apresentações, além do estúdio e da biblioteca, que já fazem parte da casa onde está hoje o Ponto de Cultura Estrela de Ouro. É um projeto para daqui a dois anos, mas que pelas conquistas do grupo, é tido como certo de funcionar como o planejado. Exemplo deste constante crescimento do Estrela de Ouro é projeto Usina Cultural Estrela de Ouro. Através dele, vinte e cinco pessoas do sítio Chã de Camará - mestres em várias modalidades da cultura local, técnicos em gravação musical e estagiários - recebem ajuda de custo e, entre outras coisas, vão às escolas públicas dar aulas sobre coco, maracatu e cavalo-marinho aos estudantes.O projeto também viabilizou a gravação dos discos citados, e também o funcionamento da biblioteca. "O conceito deste ponto de cultura é de uma usina cultural. É o único ponto patrocinado pelo Funcultura, todos os projetos que encaminhamos até hoje foram aprovados: viagem do maracatu para a França em 2006, as festas de terreiro, a estruturaçãodos grupos culturais daqui# Estivemos na novela das 20h (nos primeiros capítulos de Duas caras) e vamos tocar no programa da Xuxa. O nosso objetivo aqui é tirar o povo da cana", diz o produtor Afonso Oliveira, que elaborou junto com Lourenço alguns dos projetos que fazem Aliança sair na frente na corrida da Zona da Mata por um lugar da política cultural do estado. A Fundarpe começou este trabalho esta semana, quando reuniu representantes de todos os municípios para discutir um plano para a região. Se o movimento estava na base da poesia, agora parece que caminha para uma ação política e articulada.
Músicos garantem as festas da região
ZONA DA MATA // Mestres viram multiplicadores da cultura popular e já colhem pequenos frutos das ações transformadoras
Mestre João Paulo, do maracatu Leão Misterioso, de Nazaré da Mata, é o atual presidente do Conselho de Cultura do município. Ele confessa que, até agora, não aconteceu muita coisa. Sua posição é vista, no entanto, pelos produtores ligados à região, como uma conquista, pois João Paulo entende da cultura e das necessidades do seu município. "Fazemos reunião, estamos agora no processo de criar um Fundo de Cultura, já foi pior, mas estamos melhorando", diz João Paulo, que confessa ainda não tirar sustento da função. Faz serviços de pedreiro, quando é época da entressafra de sua cultura, o maracatu. "Se eu não trabalho, minha arte não dá nada. Maracatu é discriminado, ninguém vai botar um DVD de maracatu para tocar num bar", diz ele, referindo-se ao costume dos bares - sobretudo do interior - de ter sempre DVDs para atrair sua clientela. E eles exibem quase sempre as bandas do forró eletrônico.
A visão mais crítica de João Paulo é amenizada pelas declarações do músico Roberto Manoel, trompetista do grupo Fulorestado Samba, do mestre mais novo dos maracatus rurais de Aliança, Siba Veloso. "No começo era mais difícil, quando eu comecei só tinha velho tocando maracatu, hoje eu vejo menino deixando de ir pra festa para tocar maracatu", diz ele, que é considerado um professor, por dar muitos "toques" aos mais jovens que querem tocar nos grupos populares/folclóricos da região. Na visita do Diario ao ponto Estrela de Ouro era ele quem orientava o maracatu Leão Nazareno, das meninas.
"Agora todo sábado eu toco. Tem festa para fazer em Nazaré, Araçoiaba, Chã do Esconço, Carpina, Buenos Aires, são tantas festas que a gente acaba mandando outros músicos para tocar em nosso lugar, quando não dá tempo de seguir de uma cidade para outra", conta outro músico, Marcos de Catô, trombonista de artistas como João Limoeiro, Maciel Salu e banda Ticuqueiros.No mês de novembro, quando Aliança for mais uma vez palco do festival Canavial, o intercâmbio musical será intensificado. Serão trinta e seis atrações, entre elas, Lia de Itamaracá, Isaar de França, Spok & Marco César, Selma do Coco, Ana Cristina (Itabira-MG), Toadas de Pernambuco & Ciranda Rosa de Ouro, Vanildo de Pombos, Ítalo Pai & Zabumba, Amoenda, Nelson da Rabeca (AL), Maracatu Nação Pernambuco e orquestras Curica e Saboeira. A idéia é mesclar grupos mais ligados à tradição com outros que fazem releituras delas. A direção é do produtor Afonso Oliveira, cujo foco de trabalho está quase que exclusivamente na Zona da Mata. Recentemente, o produtor escreveu o manifesto Canavial, que foi lançado durante a exibição do projeto no Rio de Janeiro, sugerindo um "movimento cultural da Mata". No texto, Afonso ressalta a trajetória artística da cultura da Zona da Mata e como seus personagens hoje extrapolam a linha do tradicional. "A crise das usinas aqui levou os mestres para a cidade, lá eles criaram um processo cultural# A história foi daqui para lá, não o contrário, como costuma dizer o povo do Recife. Aqui não existe um catalisador de nada, eu e Siba, por exemplo, nos falamos muito pouco, mas está todo mundo contaminado por um pensamento, uma ideologia disseminada por mestres como Batista e Zé Duda", pontua Afonso, que encara os resultados artísticos (e os futuros projetos) da Zona da Mata do mesmo jeito que os usineiros lidavam com o açúcar: para exportação. A diferença é que, desta vez, não se trata de uma monocultura, pelo contrário. (Michelle Assumpção)
Preocupação com a sustentabilidade
A produtora Alessandra Alcoforado já fazia um trabalho de mapeamento das culturas populares de Vicência quando foi chamada para atuar na Secretaria de Cultura e Esportes de Aliança. Com uma dotação orçamentária calculada em R$ 700 mil por ano, ela considera ser a secretaria uma ponte entre a produção artística e os patrocinadores. Os projetos que consegue aprovar, através da sua secretaria, têm custos baixíssimos. Exemplo: festival Cultura de Rua, que irá acontecer toda última sexta-feira de cada mês, com atrações da cultura popular local, irá custar R$ 5,88 mil. "O que a gente faz é ensinar os grupos a enxergar as oportunidades. Nossa preocupação é a sustentabilidade deles, por isso queremos deixar o Conselho formado nesta gestão", diz Alcoforado, que ressalta a visão da Prefeitura em ter a Cultura como uma de suas prioridades. Exemplo foi a compra, e doação, de um terreno de 3 hectares para o maracatu Estrela de Ouro construir nova sede e centro cultural.
Alcoforado foi uma das representantes que compareceuao encontro com a Fundarpe, na última quarta-feira, na primeira escuta oficial do estado com os municípios da Mata Norte, a fim de iniciar a definição de uma política de ação para a região, no setor da Cultura. "As cidades juntas formam um grupo com características comuns. Baseado nessas características, nós vamos potencializar recursos e investir na formação e capacitação na área cultural", esclareceu a diretora de Incentivo à Produção Independente da Fundarpe, Teca Carlos. Secretários de cultura e representantes do setor sentiram-se empolgados com a possibilidade de uma aproximação maior dos municípios com o Estado de Pernambuco, representado pela Fundarpe. "Colocamos como prioridade a criação de uma gerência regional de Cultura, seria uma descentralização da Fundarpe, assim como faz o Minc, para que chegue mais perto da região. O saldo foi importante, porque todas as cidades compareceram", avalia o secretário de Cultura de Paudalho, Eduardo Freitas. Segundo ele, o município assinou protocolo de intençõescom o Ministério da Cultura e está no processo de ajustar-se às suas condições, criando, por exemplo, um Conselho de Cultura. "Começamos a elaborar uma lei para criar este conselho# O próximo será elaborar o plano de cultura da cidade", garante Freitas. Ele é um dos que, a partir deste fórum promovido pela Fundarpe, fará parte da comissão que terá como missão eleger as prioridades para os municípios da Mata Norte, que contarão com subsídios do estado, através de leis de incentivo ou patrocínios diretos. "O encontro foi muito importante, não tem outra maneira de pensar as ações regionais", prega o secretário, cantando a pedra que os próprios artistas batem há muito mais tempo. Para eles - os representantes oficiais - o processo da cultura vai esquentar agora. Os artistas estão nele há mais tempo. Na parceria, o "movimento Canavial" só tem a tomar forças.
Matéria publicada no Diario de Pernambuco do dia 29/10/2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Quem gosta de manifestações culturais não pode perder a sexta edição do Festival de Diversidade Cultural – Tangolomango. Pela primeira vez no Nordeste, o evento reunirá teatro, música, dança e circo, num palco montado no Teatro do Parque, no centro do Recife.
Ao todo, doze grupos de artistas populares irão sem apresentar desta sexta (26) até domingo (28). De Pernambuco participam seis grupos: ARC Afoxé Alafim Oyó, Balé Afro Majê Molê, Coletivo Êxito d’ Rua e Mestre Ferrugem, de Olinda; e Escola Pernambucana de circo – Trupe Circus e Grupo Percussivo Nação Sesc, do Recife. De outros estados vem Mais de Mil, de Salvador – BA; Cia Aplauso, do Rio de Janeiro – RJ; Dona Zefinha e Os Bufões, de Itapipoca – CE; e Irmãos Saúde, de Brasília- DF.
A abertura do evento acontece na sexta (26), às 18h, no Pátio de São Pedro. A festa será comandada pelo Maracatu Leão Coroado, que receberá outras trupes. De Pernambuco, o vento segue para o Rio de Janeiro.
SERVIÇO:
Festival de Diversidade Cultural – TangolomangoQuando: De 26 a 28 de outubroLocal: Teatro do Parque
Informações: (81) 3232.1553
Entrada gratuita
da Redação do pe360graus.com
Cultura é o diferencial competitivo
Publicado em 25.10.2007
Imensa riqueza histórico-cultural ainda não se expressa como produto turístico, mas Pernambuco começa a despertar para a necessidade de integração O terceiro caderno especial que o JC publica em parceria com a TGI Consultoria em Gestão e INTG vai abordar as perspectivas atuais de dois importantes setores da economia de Pernambuco: a cultura e o turismo. O material faz parte da pesquisa Empresas & Empresários, que está em sua 10ª edição e tem o objetivo de traçar uma radiografia da realidade empresarial em Pernambuco. “Com o trabalho da TGI, começa a surgir uma consciência no empresariado”, afirma o secretário de Turismo do Recife, Samuel Oliveira. “Ele estabelece um diálogo, que abre a possibilidade de qualificação e preocupação dos setores envolvidos.
Quando Duarte Coelho, o primeiro donatário de Pernambuco, por aqui se instalou com planos de criar a Nova Lusitânia e iniciar o empreendimento mais bem-sucedido do Brasil Colônia, a cana-de-açúcar, estava plantando também a semente do maior trunfo econômico do Estado. “Eu tinha já o entendimento empírico de que a cultura era o principal diferencial competitivo de Pernambuco, por conta da sua diversidade e densidade. São características muito marcantes, devido ao processo de formação histórica”, afirma o diretor e sócio da TGI Consultoria em Gestão, Francisco Cunha. “Depois que pesquisei, deixei de ter só a impressão para ter plena convicção: a cultura é o nosso principal diferencial competitivo, mais do que quaisquer outros”.
Os números demonstram a dimensão deste diferencial. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pernambuco é um dos destaques nacionais, ao lado do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, na preservação do patrimônio histórico, em especial no que diz respeito a edificações dos períodos colonial e imperial. As cidades do Estado têm, em sua maioria, participação em produção cultural. Dos 185 municípios, apenas dois não têm qualquer estrutura da administração pública voltada para a cultura. Em 85,4% deles, a cultura divide espaço com outras políticas públicas, como turismo e esportes, em três, o setor tem uma secretaria específica e, nos restantes, as políticas culturais estão contempladas em outras secretarias.
Pernambuco é ainda o Estado brasileiro com maior percentual de municípios onde existem grupos de dança, 79%. Existem grupos teatrais em 122 municípios, blocos carnavalescos em 63% deles, grupos de capoeira em 134 cidades, e assim por diante. “Tudo isso tem expressão no ambiente de negócios. A cultura é o lastro do desenvolvimento da atividade empresarial. Por isso que é vantagem competitiva”, reforça Cunha.
De acordo com ele, a trajetória histórica de Pernambuco permitiu o desenvolvimento e o adensamento dessa diversidade cultural, tanto de um viés erudito quanto do popular. “Por um lado, a cana permitiu o surgimento de grandes artistas, como Lula Cardoso Ayres e Francisco Brennand”, explica. “Mas há uma cultura popular muito intensa, com a poesia de cordel, com a música de Luiz Gonzaga, a escultura de Vitalino. Isto irradia para as outras manifestações profissionais”, diz.
TURISMO
Mas, apesar da riqueza, Pernambuco ainda não soube usá-la corretamente em seu proveito, e é aí que entra o turismo. Em 1996, a receita com o turismo representou apenas 2,88% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas) pernambucano, em 1999, apenas 3,07%. Isso representou menos de 10% da receita gerada no turismo pelos nossos vizinhos da Bahia. O turismo na Região Metropolitana do Recife começa a perder dinâmica, com o fechamento de hotéis e sua transferência para as praias e o interior do Estado.
Ao mesmo tempo, de acordo com uma pesquisa do Recife Convention & Visitors Bureau realizada no primeiro semestre de 2007, 50% dos turistas que aportaram no Estado tinham como interesse a cultura, perdendo apenas para o turismo de sol e mar, que atraiu 77% dos visitantes. De acordo com dados da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), 71,34% dos turistas vieram a passeio à Pernambuco devido aos atrativos naturais, contra 8,69% que optaram pelo patrimônio histórico e cultura em 1999. Mas em 2006, esse quadro é diferente: 69,75% dos visitantes buscavam atrativos naturais, contra 12,42% que procuravam nossa riqueza histórico-cultural.
“Nós temos uma coisa boa, que é o turismo de sol e mar. Mas, modernamente, fala-se que o binômio cultura e turismo funciona como uma coisa só, e Pernambuco nunca fez esse casamento de forma adequada”, afirma o diretor da TGI. “Para o turismo, a cultura é um diferencial fantástico, mas é algo que não está suficientemente trabalhado”, diz.
Para ele, o turismo pernambucano tem uma avenida pela frente com a chegada dos projetos estruturadores. “O interesse econômico por Pernambuco já está despertado, teremos que ter mais hotéis e mais equipamentos turísticos para atender a essa demanda. A cultura também será beneficiada na medida em que o turismo trouxer fluxo para consumir o produto cultural local”, arremata o consultor.
Perfil do novo público é a grande incógnita
Publicado em 25.10.2007
O otimismo do setor de turismo, em relação aos novos investimentos estruturadores em Pernambuco, não é o mesmo entre os atores culturais do Estado. Para o setor de cultura, algumas questões ainda sem resposta dividem opiniões: Quem será esse novo público? Que tipo de entretenimento cultural os executivos e técnicos estarão dispostos a consumir? Muitos especialistas analisam com cautela a possibilidade de se criar algo artificial e puramente lúdico.
“Corre-se o risco da cultura ser fomentada de acordo com o interesse desse público mais sofisticado”, avalia a turismóloga e professora da UFPE Jeanine Lacerda. Segundo ela, é imperioso que haja um planejamento a longo prazo para assimilar o impacto que acontecerá em todos os campos sociais. “É preciso cautela, mas também não podemos desperdiçar esse momento de investimentos. Ainda há tempo para nos organizarmos”, aposta.
O diretor de teatro e coordenador de cultura do Sesc-PE, José Manoel, ressalta a importância do turismo cultural não só como entretenimento, mas como instrumento de educação e cidadania. “Não podemos separar os dois. É necessário investir na produção e no artista, unindo estética, técnica e ética. Senão, acaba-se banalizando a expressão artística e transformando tudo em cultura de massa”, adverte.
Em termos de solução, ele também defende a necessidade de um planejamento. “A cultura será bastante beneficiada se souber se aproximar desses investimentos por meio de uma política sistemática e regular, ou seja, qualificar o que já existe, além de investir na melhoria dos espaços e equipamentos.”
Já o produtor teatral e sócio da Métron Produções, Ruy Aguiar, espera com entusiasmo a chegada dos novos espectadores. “Temos um produto bem estruturado e espetáculos de qualidade com cadeiras vazias. É preciso uma maior valorização e divulgação”, afirma.
Junto com o desenvolvimento do Estado, é esperada uma maior participação de empresas privadas no incentivo a eventos culturais. “Infelizmente, eu não vejo muitas empresas locais investindo em cultura. São quase sempre empresas de fora ou estatais. Mesmo que o apoio fosse em pequenos eventos já seria de grande ajuda”, comenta o diretor do Instituto Cultural Banco Real, Carlos Trevi. “Não creio que seja por má-vontade, não. É algo cultural”, afirma.
Democracia é desafio das leis de incentivo
Publicado em 25.10.2007
Democratizar o acesso ao fomento e ao consumo. Esse é hoje o maior desafio quando se fala em beneficiamento das artes através dos incentivos fiscais. Entraves como a falta de profissionalização de alguns produtores, sobretudo de áreas culturais menos contempladas ou regiões afastadas do Estado, são apontados como grandes responsáveis pela falta de equilíbrio na distribuição dos recursos. O resultado é que, pelo menos teoricamente, os benefícios continuam indo para projetos cujos profissionais estão mais preparados (e, conseqüentemente, mais conhecidos pelo mercado), por terem condições de cumprirem as séries de normas exigidas.
A cultura em Pernambuco vem recebendo nos últimos anos importantes incentivos de pelo menos duas frentes públicas: o Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), administrado pela Fundarpe, e, mais notadamente no âmbito municipal, o Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), da Prefeitura do Recife (ver quadro abaixo). O montante em dinheiro, se ainda não é suficiente, pelo menos é significante: a primeira frente distribuiu, em quatro anos, R$ 17 milhões para 311 projetos, a segunda, direcionou pouco mais de R$ 5 milhões para 157 propostas culturais entre 2002 e 2006.
“Isso é pouco? Muitas pessoas podem achar que é, mas o que devemos ter em mente é que precisamos fazer com que esses recursos sejam melhor distribuídos Estado adentro. Para se ter uma idéia, dos 500 associados do Funcultura atualmente, 460 são da Região Metropolitana”, analisa o o diretor de Políticas Culturais da instituição, ator e teatrólogo, Carlos Carvalho. Tal disparidade numérica nada mais é do que o reflexo de uma melhor preparação dos profissionais para as exigências que as leis de incentivo requerem. “Isso abre espaço para que as pessoas insistam no discurso que o Estado funciona quase como uma subprefeitura”, completa.
Com uma clara missão de tentar equilibrar essa balança entre capital e interior, iniciativas de patrocínio como a da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) têm se mostrado eficazes. Com um valor estimado em cerca de R$ 40 mil por ano, a empresa conseguiu contemplar 1.571 projetos no período 2003/2006. “Nossa missão é desenvolver talentos e por isso optamos por projetos que contemplem regiões com mais necessidades, atingindo o maior número de investidores nessa área”, explica o coordenador especial de Relações Institucionais da Chesf, Maurício Jatobá, dando como exemplo um projeto de uma escola de música para 400 crianças do município de Carnaíba (Sertão do Pajeú). Ainda na tentativa de democratizar o acesso, o site da instituição (www.chesf.gov.br), traz – em “patrocínios” – os passos necessários para elaboração de um projeto.
O interessante é que a visão de democracia não atinge somente os órgãos e investidores, mas também os próprios produtores culturais, sobretudo da capital. Responsável por iniciativas como o Abril Pro Rock e o Porto Musical, Paulo André é enfático ao abordar o assunto: “A realidade é muito cruel. Vemos artistas simples que contribuíram artisticamente com o Estado durante toda a vida, mas pela falta de preparação não conseguiram se beneficiar dos recursos de leis como essas e, ao mesmo tempo, bandas que não têm público, conseguem gravar um CD. É tudo ao contrário”.
Artistas buscam alternativas de captação
Publicado em 25.10.2007
Cláudia Santos
csilva@jc.com.br
Haymone Neto
Especial para o JC
A escassez de recursos públicos para produções artísticas tem levado os profissionais de cultura a pensar na busca de formas alternativas para financiar a arte que produzem. “A lei de incentivos fiscais não é para todo mundo, porque a demanda é muito grande”, constata Edivane Batista, sócia da Métron produções, responsável pela produção de peças como Batalha dos Guararapes.
Ela afirma que a categoria teatral precisa conquistar o setor privado. “Temos que ter acesso aos recursos que as empresas destinam para o marketing”, sugere. “Precisamos mostrar o retorno que podem ter ao associar a sua imagem aos nossos espetáculos. Muitas delas patrocinam peças do Sul do País, mas o nosso público é diferente do eixo Rio-São Paulo, daí a importância de investir em produções locais”, raciocina.
Setores do governo acreditam que os profissionais devem começar a pensar a sua arte de maneira que seja auto-sustentável. O secretário de Cultura do Recife, João Roberto Peixe, defende que os artistas passem a trabalhar com recursos próprios e a se preocupar com o retorno dos investimentos, como ocorre com toda atividade no sistema capitalista. “Nem os empresários culturais nem as empresas querem correr risco”, sentencia. Um bom começo para essa mudança, segundo Peixe, seriam as linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que financiam produções culturais a partir de empréstimos a juros baixos. O cineasta Cláudio Assis discorda com veemência: “Vamos ficar endividados. Teremos que vender nossas casas, nossos carros”, antevê o diretor do consagrado Amarelo Manga. Para Marcondes Lima, diretor de teatro e professor da UFPE, a própria arte produzida pelos artistas seria o retorno do capital investido. “É a contrapartida social que oferecemos”, justifica.
A economista Anita Dubeux, coordenadora de um estudo sobre a cadeia produtiva da música em Pernambuco para o Centro Josué de Castro, ressalta, porém, que para a sustentabilidade da produção artística esbarra no problema da profissionalização dos produtores. “Eles ainda carecem de uma qualificação melhor. Existem pessoas bem preparadas, mas ainda falta muito”, diz. Após a pesquisa, Dubeux concluiu que há a necessidade de manter um fórum permanente unindo artistas, produtores, fornecedores e todos os demais atores envolvidos. “A sustentabilidade deve existir, mas, para isso, é preciso que haja contato entre essas pessoas, para contornar as dificuldades”, afirma.
Na área de cinema, uma alternativa que pode render resultados, segundo o cineasta Paulo Caldas, é a associação do setor cinematográfico com a televisão e a publicidade. “Em todos os locais onde há um cinema forte, há também uma publicidade e uma produção televisiva forte”, salienta o diretor do premiado Baile Perfumado. “Nesse sentido é interessante a iniciativa da TV Jornal de produzir minisséries com profissionais ligados ao cinema”, ressalta, adiantando que ele próprio tem um projeto para TV que vai negociar com as emissoras. “É uma minissérie baseada na obra de Reginaldo Rossi”, informa.
FALTA MERCADO
Mas, para ser sustentável, a arte pernambucana precisa de mercado e de espaços para poder ser mostrado ao público. A música popular de Pernambuco, por exemplo, vive um dilema. Ao mesmo tempo que tem uma cadeia bem estruturada, uma cena que é referência internacional e alguns dos artistas mais respeitados do País, a produção musical local se depara com uma grande dificuldade: ser consumida, ouvida e apreciada pelos próprios pernambucanos. Produtores culturais, músicos e especialistas no assunto são praticamente unânimes em apontar as rádios como principais responsáveis pelo impasse. “Existem dois Pernambucos no mesmo tempo e espaço: um é o do atraso e o outro é o da vanguarda”, afirma o produtor cultural Paulo André Pires, da Astronave Iniciativas Culturais.
“No topo da lista, está o problema das rádios. A gente não ouve nem assiste a produção de Pernambuco na mídia. Nós temos uma rádio universitária que, de universitária, só tem o nome. E, nas rádios comerciais, o jabá foi institucionalizado”, destaca Pires. Ele afirma que a baixa renda da maioria da população local impede o consumo dos produtos culturais locais, e que a maioria da classe média ignora o que é produzido aqui. “Se não, as bandas locais venderiam de 10 mil a 15 mil cópias no Estado, mas não chegam a um terço disso”, reclama. Enquanto isso, artistas como Siba e a Fuloresta e DJ Dolores têm contratos com gravadoras no exterior. “Na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, a música pernambucana está bem representada”, diz.
O cantor e compositor Lula Queiroga concorda. “No Recife, esta música não é consumida. Há dificuldade de acesso, porque as rádios se acomodaram”, diz. Ele acredita que a alternativa é o que ele chama de conectividade: a troca de música pela internet. “É o caminho. Assim, você dribla a questão da distância e das rádios”, explica. É assim que seu trabalho tem chegado ao público. “Temos tocado em lugares como Belo Horizonte e grande parte das pessoas sabe a letra das músicas. A gente fica surpreso”, conta.
Ele lembra, contudo, que há outro grande problema enfrentado pelos artistas: a falta de espaços para tocar. “Nós tocamos pouco aqui porque os cachês são muito baixos, e não há casas de show para 500, 600 pessoas com estrutura boa de luz e som. No Recife, o artista é um pobre star, tem muita moral mas não consegue ganhar dinheiro”, brinca.
Cineastas também se ressentem do número reduzido de salas de cinema. “È necessária a construção de novas salas de exibição e incentivar mostras no interior do Estado, além de passar os filmes nas comunidades, nas escolas”, reivindica Paulo Caldas.
Pernambuco também sofre com o número reduzido de teatros na cidade. “Temos poucos locais para espetáculos”, afirma Edivane Batista. Marcondes Lima afirma que há ainda o problema da evasão de público sofrida pelas peças teatrais. “Seria interessante incentivar a ida ao teatro, desde a infância, nas escolas, para que a educação estética fosse desenvolvida na população”, sugere o diretor.
Publicado em 25.10.2007
A falta de diálogo e a necessidade dos dois setores caminharem juntos foram os principais temas discutidos no debate promovido pela TGI e pelo INTGA necessidade de integração do turismo com a cultura foi a tônica do debate no 3º workshop da pesquisa Empresas & Empresários realizado na TGI Consultoria em Gestão na quinta-feira passada. A falta de diálogo entre os dois setores, a necessidade de conhecerem melhor as nuances do outro, a demanda pela profissionalização dos seus agentes e a exigência de um planejamento comum de longo prazo foram alguns dos temas que nortearam a discussão.
“Quando unimos os dois setores, chegamos à equação: turismo mais cultura resultam num produto só”, afirmou a coordenadora técnica da pesquisa, Fátima Brayner. “O turismo de sol e mar, embora importante, não conseguirá se sustentar sozinho em longo prazo. Claro que Pernambuco tem belas praias, mas isso não é o bastante, nem é o que o turismo internacional procura”, diz.
De acordo com a avaliação estratégica elaborada pela TGI e INTG para a pesquisa, com base nos depoimentos dos empresários ligados aos dois setores, o mercado para o diferencial histórico-cultural do Estado é uma das principais oportunidades para o turismo e a cultura pernambucanas. Isto é favorecido pela busca da singularidade. “O turista busca o que não é a casa dele”, lembra Brayner. Neste aspecto, Pernambuco tem uma grande força: dispõe, ao mesmo tempo, de ambientes naturais e construídos diferenciados.
O Estado tem ainda como oportunidades fontes diversificadas de financiamento, o reconhecimento mútuo de ambos os setores e a hospitalidade do seu povo, além de dispor de forças como a profissinalização da gestão do trade turístico e o desenvolvimento de grandes eventos culturais, como o Abril Pro Rock e o Cine PE. Mas esbarra em ameaças como a violência, o turismo sexual, a concorrência com outros destinos e, mais recentemente, a crise aérea. Tem fraquezas na área de infra-estrutura turística e deficiência de equipamentos. Além disso tudo, precisa lidar com a desarticulação entre os agentes de ambos os setores.
“O ponto crítico é a falta de diálogo entre os universos da cultura e do turismo”, afirma o ex-secretário municipal de Cultura e Turismo de Olinda, João Falcão. Ele acredita que ambos os setores devem ter como foco a construção dessa agenda comum. “Eu vejo isso acontecer mais no setor de turismo, sem aderência da outra parte. O desafio, antes do diálogo, é a cultura entender um pouco do turismo e vice-versa”, ressalta.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Pernambuco (ABIH-PE), José Otávio de Meira Lins, concorda. “A era do sol e mar se esgotou. Precisamos encontrar um meio-termo sem que haja um excesso de mercantilismo da nossa parte e um excesso de purismo da parte do setor da cultura”, afirma. Para o presidente da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), Carlos Pereira, essa integração deve se inciar com o estabelecimento de um calendário conjunto.
Mas o secretário de Turismo do Recife, Samuel de Oliveira, destaca: Pernambuco tem um potencial turístico maior do que o poder de investimento dos setores público e privado. “Para ser um destino de turismo, a cidade tem que ser turística para a sua população”, diz. Ele defende que turismo e cultura cresçam juntos, e descarta a possibilidade do primeiro atrapalhar o livre desenvolvimento da segunda. “Quem tem que transformar a cultura em produto é a própria cultura, do jeito deles”, finaliza.
Para o secretário de Cultura do Recife, João Roberto Peixe, o setor da cultura ainda tem uma dependência grande do poder público, o que dificulta o seu desenvolvimento. É por isso que uma das prioridades da sua gestão à frente da pasta é transformar o Recife numa cidade-piloto na área de economia da cultura. Ele cita como exemplo dessa proposta o Complexo Turístico Cultural Recife Olinda, que tem a cultura como eixo de desenvolvimento. Mas destacou que se trata de um processo de longo prazo, que leva de 15 a 20 anos para ser totalmente implementado.
É uma longa caminhada, que precisa superar problemas antigos. O produtor cultural Paulo André Pires cita o exemplo da dificuldade de uma das manifestações culturais mais fortes do Estado - a música - ser ouvida dentro do seu próprio território em função de um problema que já dura décadas: o boicote das rádios com relação à nova produção local.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Tecendo Histórias!
Uma proposta Pedagógica,
De aprendizado e Oportunidades,
Assim surgiu o Multicultural,
Um Programa incrível de verdade,
Promovendo a cultura e o social,
Desenvolvendo as comunidades.
II
Momentos de muitas trocas,
Mercados, cursos e oficinas,
Desta forma faz crescer,
O conhecimento e a disciplina,
Tornando cada um capaz,
De seguir mais seguro e pra cima.
III
Como uma turma, um curso,
Tudo começou mais uma vez,
A proposta: aquisição de conhecimentos,
Melhoria de Vida, assim se fez,
Aproveitamento de talentos,
Tudo focando o crescimento.
IV
Os Mestre todos bem aplicados,
Fez-nos viajar em temas variados,
Quando acabava o módulo,
Era um “aue” danado,
Eles abriram as portas,
Para enriquecermos nosso aprendizado.
V
Antonio Paulo Rezende,
No Contexto Sócio-econômico se fez presente,
Focando o Recife, a Mauricéia incandescente.
Esther Monteiro foi incrível,
Educação, história e responsabilidades,
Tudo passado com muita pontualidade.
VI
Também marcante foi Michel Zaidan,
Política e Ética na Cultura,
Assim o hoje vira o amanhã.
Logo após ancorou João Paulo,
Homônimo de muito trabalho,
Mercado e Marketing é o cenário.
VII
Um Barato então chegou,
Osmar Barbalho arrasou,
Ser Honesto é o que ficou.
E veio a pequena notável,
Jorgete Oliveira: Tecer é Fantástico!
Mostrou que unidos o $uce$$o é o Resultado.
VIII
Aí os dias foram passando,
As identidades aparecendo,
As afinidades se firmando,
O grupo foi assim,
Pouco a pouco se aproximando,
Um a um se conhecendo.
IX
Um passinho a cada dia,
Um detalhe do outro distante,
Cada qual foi se olhando,
As dinâmicas nos aproximando,
As relações foram motivadas,
Para estabelecermos uma caminhada.
X
Entre risos e comentários,
Abrimos-nos para Tecer,
Pensamos em Construir,
Como Gestores Culturais Aparecer,
Este diálogo nos uniu,
Um caminho assim surgiu.
XI
A Cultura mostra o valor de um povo,
Como ele caminha e o que se faz,
É importante conhecer e viver,
A diversidade é o que nos atrai,
Assim é Pernambuco,
MultiCultural Demais!
XII
Obrigada pela oportunidade,
Aqui vou me despedindo,
Apenas dos encontros noturnos diários,
Pois em Rede vamos construindo,
Uma legitimidade importante,
Unidos, Crescendo vamos Seguindo.
XIII
Mas, antes do Adeus,
Quero a todos lembrar,
Que no próximo ano,
O Curso de Extensão nos agrupará,
Espero estarmos Juntos,
Com a Nossa Rede a Funcionar.
Bita Silva.
18 de Outubro de 2007.
Curso Avançado em Produção e Gestão Cultural 2007.I