Funcultura Novas regras para democratizar o patrocínio
Publicado em 19.03.2008
Com o fim do período de carência para produtores, disputa pelos R$ 12 milhões deve ser maior e mais acirrada
Eugênia Bezerra
eugenia.bezerra@gmail.com
Os produtores culturais de Pernambuco terão acesso mais fácil e democrático aos recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) a partir deste ano. É o que promete a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) com a extinção da carência de seis meses de cadastro que era imposta aos produtores interessados em concorrer aos recursos governamentais. O governador Eduardo Campos assinou na última sexta-feira o decreto nº 13.407/2008, aprovado em regime de urgência pela Assembléia Legislativa, no último dia 13, que modifica o Artigo 4º da lei 12.310/2002.. As novas regras entraram em vigor segunda-feira.
O edital do Funcultura 2008 será divulgado na primeira quinzena de abril, por isso haverá tempo para se inscrever. Mas, mesmo com o fim da exigência dos 180 dias de cadastro, é preciso estar atento ao prazo de 15 dias para a análise da documentação do produtor. Apenas aqueles que passarem por esse processo terão sua candidatura homologada e poderão inscrever projetos no Funcultura. “Orientamos quem ainda não se cadastrou a fazê-lo o mais rápido possível, porque prevemos um aumento considerável de projetos inscritos este ano”, explica a Diretora de Gestão do Funcultura, Teca Carlos.
O aumento dos recursos do Funcultura, que este ano será de R$ 12 milhões, e o fim da carência são medidas complementares. “Não faria sentido ampliar os recursos sem garantir o acesso a um número maior de pessoas, porque estaríamos perpetuando a concentração da verba”, afirma a gestora.
Para ampliar o alcance regional do incentivo, a Fundarpe realizará oficinas de capacitação na Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata, Agreste e Sertão. “A ação faz parte da proposta de interiorização. Produtores de outras cidades poderão participar com mais igualdade” resume. A programação das oficinas deve ser divulgada nesta semana. Ainda segundo Teca Carlos, o fim da carência, a ampliação dos recursos e a realização de oficinas foram as principais demandas levantadas nos fóruns realizados pela Fundarpe em 2007.
AUDIOVISUAL
A Fundarpe também anunciou a inclusão de mais cinco projetos habilitados para a segunda etapa do processo seletivo do 1º Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual do Estado. Com a inclusão dos curta-metragens Os Dragões Brasileiros e A Maldição de Simeão, de José Manoel da Silva, Libéria Antes das Cinco e As Noites de Harley, de Arthur Fernandes, e o vídeo para TV Preto e Ponto!, de Miguel de Odilon Farias, o número de projetos aprovados passou para 120. O resultado final será anunciado em 10 de abril.
INCENTIVO II
Produtores estão otimistas
Publicado em 19.03.2008
A extinção da carência foi recebida com elogios pelos produtores culturais, mas mesmo assim, eles ainda acreditam que o processo precisa se aperfeiçor ainda mais. Se por um lado, a democratização do acesso aos recursos é o principal aspecto positivo citado pela classe, por outro, a necessidade de reestruturar a forma de seleção dos projetos e a criação de regras que se adeqüem melhor às necessidades de cada setor são as críticas mais comuns.
“Desde que foi implementado o cadastro, sempre nos posicionamos contra a carência porque não é o tempo de inscrição que garante a capacidade de um produtor cultural. Agora, mais pessoas podem concorrer e o que conta é a competência do produtor”, resume a produtora cultural Paula de Renor.
Para ela, a redistribuição da verba em cada área também contribuiria para aumentar a eficiência do Funcultura. “Poderiam criar subdivisões em cada área para, por exemplo, contemplar a manutenção de companhias e espaços nas artes cênicas”, avalia. Paula também defende uma reestruturação do processo de avaliação. “Reconheço que o volume de propostas é grande, mas seria muito bom que a análise das propostas fosse mais próxima dos produtores, quem sabe com a defesa oral dos projetos”, sugere a produtora.
O diretor Leonardo Lacca só participou de um edital do Funcultura como produtor, justamente por causa das antigas exigências. “A carência engessava o processo. Algunas vezes as pessoas se viam obrigadas a procurar um produtor que não tinha identificação com o projeto, o que é prejudicial. A medida vai facilitar a renovação e a pluralidade”, afirma o produtor. “Desde que o audiovisual se desligou do Funcultura, temos uma regulamentação mais focada. Acho que o próximo passo é fazer algo semelhante com as outras áreas, porque algumas algumas exigências gerais do edital não condizem com as atividades específicas de cada setor cultural”, avalia.
A produtora Andréa Mota também acredita que a medida propicia uma diversidade benéfica para a produção cultural no Estado. “Vai haver um número maior de pessoas criando novos produtos e eventos culturais. Claro que a concorrência aumenta, mas ela é instigante, vai ser bom para fazer crescer a qualidade do que é realizado”. Ela ainda afirma que é preciso investir na qualificação, em vários setores. “Debe haver mais investimento em cursos de criação de projetos e prestação de contas, por exemplo”, avalia. (E.B)
Matéria publicada no Jornal do Commercio do dia 19.03.2008
quarta-feira, 19 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
MAC expõe acervo para população pernambucana nesta quarta, em Olinda
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| Pela segunda vez em 40 anos, a população pernambucana terá a oportunidade de ver uma mostra selecionada do acervo oficial do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), considerado um dos mais importantes do País. Ao todo, a exposição vai contar com 300 obras e permanecerá no local por tempo indeterminado, será nesta quarta-feira (12), a partir das 19h. Os curadores da mostra foram Célia Labanca, diretora do MAC; Adelmo Aragão, diretor de Difusão Cultural da Fundarpe; Plínio Victor, arqueólogo e historiador, chefe do setor de museologia do MAC; Zenaide Bonald; e Josemir Alves da Fonseca, diretor da reserva técnica. Entre as coleções escolhidas, estão a de Assis Chateaubriand, Abelardo Rodrigues, Roberto da Silva, além de obras isoladas e uma coleção de jóias elaboradas por designers pernambucanos. Entre as obras mais importantes e raras a serem exibidas, estão as de Cândido Portinari, Telles Júnior, Visconti, J. Batista da Costa, Teruz, Djanira, Guinard, Almeida Júnior, Bonadei, Noêmia Mourão, Zanini, Pedro Américo, Adolph Gotlieb, Mário Cravo, Augusto Rodrigues, Reynaldo Fonseca, Di Cavalcanti, Marcelo Grassmann, Maria Leontina, Burle Marx, João Câmara, Corbiniano, Cícero Dias e Gil Vicente. Na ocasião, também será inaugurada uma sala especial, que a cada quatro meses será dedicada, a um artista pernambucano. Tereza Costa Rego será a primeira homenageada, apresentando a série Sete Luas de Sangue, composta por sete telas. O MAC fica na Rua do Amparo, 157, no bairro do Varadouro, em Olinda. O horário de funcionamento é das 9h às 17h, durante todos os dias da semana. Serviço: Mostra do Acervo do MAC Horário: 19h Local: MAC - Rua do Amparo, 157, no bairro do Varadouro, em Olinda Informações: 3429.2587 Entrada franca | |
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